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AZUL – SEU ÚLTIMO VOO

Por José Rezende Mendonça

A Azul Linhas Aéreas, voou pela última vez, de Ilhéus para Salvador, às 5:00 horas, nesta segunda-feira, dia 19 de fevereiro.

A decisão da empresa, ignorou os pedidos do próprio governador da Bahia, Rui Costa, do deputado federal Bebeto Galvão, e do prefeito de Ilhéus.

No nosso caso, em particular, tínhamos um voo, de Salvador para Ilhéus no dia 26 de fevereiro, às 23:00 horas. Sem nenhum aviso, por e-mail ou telefone, a empresa, a sua maneira, me remanejou, para o mesmo dia, num voo das 13:30 horas. Como obedecer este horário, se tenho uma consulta médica marcada, para o dia 26, às 11:30 horas, desde o dia 09 de novembro de 2017, ter adquirido, esta passagem, para o dia 26, às 23:00 horas.

Procurei a empresa, e a única solução por eles, foi que eu retornasse de Salvador, um dia após, ou seja, dia 27, às 13:30 horas. Como não vi outra alternativa, estou sendo obrigado a ficar na capital baiana, sob minhas despensas, até esta data.

Já minha ida, por questões pessoais, de Ilhéus para Salvador, antes previsto para o dia, 24 de fevereiro, antecipei para o dia, 22. Voo confirmado de número: 9006 (XE2CJW), no horário das 16:00 horas, mas pelo que li na imprensa, este voo também deixa de existir. Terei que de novo, procurar a AZUL, para que esta empresa, diga finalmente, qual será meu horário, neste dia.

Não sei, qual foi a alegação da AZUL, para acabar com este voo, das 5:00 e 23:00 horas. Já que ANAC, depois de registrar queda, em 2016, em 2017, cresceu nos voos domésticos em 2,2%, e ainda teve um aumento de 3,2%, na demanda de passageiros.

UM POUCO DA HISTÓRIA DESTE AEROPORTO, QUE UM DIA FORA UM CAMPO DE AVIAÇÃO

Teco-Teco – Aeroclube do Pontal Desde os tempos de criança, pois aqui nasci e moro desde 1951.

A Pista de Pouso do Pontal, foi inaugurado, em 19 de maio de 1938 e reformado várias vezes, sendo em 1958 a mais ampla, com pista asfaltada. Nestes 80 anos, o nosso aeroporto, nunca registrou qualquer acidente aéreo, e sempre foi considerado, de muita segurança por estar localizado ao nível do mar, onde a altitude, temperatura, velocidade e direção dos ventos, facilitam a decolagem e pouso, além do mesmo, ser dotado de equipamentos de navegação, atendendo todas as segurança, estabelecidas pela Organização de Aviação Civil Internacional (OACI).

Registre-se também, que o mesmo serviu de apoio para aeronaves durante a II Guerra Mundial (1942-1945).

Avião antigo

Lembro-me, que nos anos 50 e 60, pousavam aqui diversas aeronaves (Loyde, Real, Nacional, Aerovias Brasil, LAP, TAS, VAB, NAB, etc.) sem maiores problemas, chegando a congestionar o pátio de embarque, e tudo isso, sem a tecnologia que se tem hoje.

No tempo, em que aqui pousavam, as companhias VARIG, VASP, CRUZEIRO DO SUL e SADIA, nos leva a crê, que as aeronaves eram sempre bem revisadas, e seus pilotos bem treinados e capacitados, pois decolavam e pousavam na pista do Pontal, mesmo com fortes chuvas, durante o dia ou à noite. Hoje as atuais companhias e os pilotos, querem atribuir suas deficiências, simplesmente a pista, que virou moda sendo a culpada de tudo.

Por outro lado, o Aeroporto Santos Dumont, com apenas 1323 metros de pista, menor que o de Ilhéus (1577 metros, na época), foi usado para voos internacionais, trazendo os atletas para o PAN do Rio de Janeiro. As cabeceiras da pista do Santos Dumont são bem parecidas com as de Ilhéus, onde terminam no mar ou no rio, dando maior segurança em casos de acidentes, ao contrário de Congonhas, onde suas cabeceiras são rodeadas por edificações, aonde os aviões chegam a voar, apenas há dois metros do topo dessas edificações.

Acervo Zé Rezende

No aeroporto de Ilhéus, tanto na decolagem como na aterrissagem, as aeronaves chegam atingir 30 metros de altura, acima do solo nos pontos considerados de riscos.

Nos anos 80, aqui pousou uma aeronave argentina Boeing – 737-700, que se dirigia para Fortaleza, e teve que fazer um pouso forçado, por problemas técnicos e foi bem sucedido, e mais recentemente no dia 27 de julho de 2013, um FOKER-MK 28, com uma turbina inoperante, teve que fazer também, um pouso emergencial à noite e toda operação foi um sucesso.

Nos anos 90, houve uma nova campanha, para descaracterizar o aeroporto de Ilhéus, pois, era preciso colocar em evidência, o aeroporto da Ilha de Comandatuba – Hotel Transamérica. Ameaçaram e levaram, alguns voos daqui e foi inaugurado, com toda pompa na época, por autoridades baianas, e Ilhéus se viu mais uma vez sem “pai e sem mãe”.

Bom, por uma reportagem da TV da Globo, condenou este aeroporto, que nos dias de poucas chuvas, as empresas aéreas não querem, correr os riscos de pouso, em razão da ANAC, fugir da suas responsabilidades e jogar para as empresas, toda decisão.

Em 19 de maio de 1938, quando foi inaugurado, recebeu o nome de Campo de Pouso do Pontal. Com a implantação de outras facilidades, passou a se chamar Aeroporto do Pontal, Aeroporto Brigadeiro Eduardo Gomes, Aeroporto de Ilhéus e por fim, Aeroporto Jorge Amado. A história do Aeroporto do Pontal é tão antiga quanto o da própria Aviação Comercial Brasileira. Quem viveu por aqui há de se lembrar, de que desde o final dos anos 40, prolongando-se até meados dos anos 60, nada menos, que nove companhias aéreas, já mantinham linhas na rota de Ilhéus para qualquer local do Brasil, claro, com suas conexões, como se procede até hoje. Quem é do meu tempo vai lembrar, do LOYDE AÉREO, REAL TRANSPORTE AÉREO, NACIONAL, AEROVIAS BRASIL, LAP-Linhas Aéreas Paulista, TAS – Transportes Aéreos Salvador, VAB – Viação Aérea Baiana, NAB – Navegação Aérea Brasileira e CRUZEIRO DO SUL, todos os aviões de passageiros tipo Douglas-DC-3 e C-47, bimotores/hélices, com capacidade para três tripulantes e em média 38 passageiros.

Avião de carga.

Este avião de carga tem uma história especial, foi ele quem trouxe a primeira remessa, de um lote de 52 cabeças de gado, vindo do Texas, para senhor Coriolano de Oliveira (Cori), pecuarista de Itapetinga, que importou para sua propriedade, a raça Santa Gertrudes.

Já a partir da década de 60, começaram as novas companhias como: a VARIG, VASP, SADIA, TRANSBRASIL, NORDESTE e RIO SUL, com suas aeronaves mais modernas, tipo Dart Herald, Caravelle, Boing, Avro e Samurai.

O Aeroporto do Pontal, era apoiado pelo Destacamento de Proteção ao Voo (DPV), subordinado ao Ministério da Aeronáutica. O DPV de Ilhéus foi criado em 1941, com a missão de dar segurança, aos voos no aeroporto local e nas rotas aéreas ou aerovias, bem como, fiscalização de aeronaves e tripulantes.

Desembarque Presidente Castelo Branco, 1966

Mesmo com a implantação da INFRAERO e TASA em 1981, o Destacamento de Proteção ao Voo de Ilhéus somente foi desativado em 1987. Em 2007 foi desativado o DAC, passando suas atribuições, para a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), que também foi desativada em 2008, deixando, desta forma, o nosso aeroporto, sem qualquer órgão de fiscalização das aeronaves e tripulantes e outros assuntos como atraso de voos, reclamações de passageiros, etc.

Já havia naquela época, uma preocupação com a tripulação e passageiros, no caso de pernoite na cidade, e por esta razão, em 1957, foi construído o AEROPORTO HOTEL, de propriedade do senhor João Barreto, pois em determinadas horas da noite, ficaria difícil transportar os tripulantes e passageiros para o centro da cidade, em virtude da travessia, através de lanchas. Vale lembrar, que este prédio de dois andares existe até hoje, e foi transformado no Ginásio Municipal do Pontal em 1966, pelo então prefeito Herval Soledade, e atualmente renomeado para Escola Municipal do Pontal.

Praticamente nestes 80 anos, de existência foram registrados pequenos acidentes e só três merecem tecer alguns comentários.

  1. Na década de 50 a aeronave que tinha, coincidentemente, o nome de “São Jorge dos Ilhéos”, pertencente à Navegação Aérea Baiana – NAB, que segundo comentários da época, já vinha passando por dificuldades financeiras e administrativas, caiu no manguezal do Rio Santana, praticamente na cabeceira da pista, mas sem registro de vítimas, apenas raros casos de escoriações.
  2. Também na década de 50 um avião da FAB, que apresentou uma pane quando se dirigia a Caravelas, teve que retornar a Ilhéus, e nas mediações do atual bairro do Teotônio Vilela, no lugar conhecido como morro do Cupipe, colidiu e explodiu matando os três tripulantes.
  3. Já em 1973, a comissária da SADIA, Ilze Ribeiro do Val, sofreu um acidente fatal, no momento de pura infelicidade, ao se aproximar da hélice, que ainda girava lentamente, vindo a falecer no próprio pátio de estacionamento das aeronaves.

Não poderia falar do aeroporto, sem que não fizesse um breve registro, do Aeroclube de Ilhéus, com seus Aéro Boero (Teco-Teco), que foi fundado em 1942 e formou sua 1ª turma em 28 de junho de 1943 (Dia da Cidade).  

Dentre os formandos destacamos os senhores: Abel Pereira, Ruy Dórea, João Kruschewsky, Almir Freitas e José Ângelo Lima que se tornou piloto internacional da VARIG.

Também vale registrar os “homens da mala” – os Carregadores: UM (Alexandre Parente dos Santos), DOIS (José Bezerra de Jesus), TRÊS (Evangelista R. dos Santos) e QUATRO (Paulo O. da Silva).  Todos já descansam, na paz divina.

Pelo Decreto Lei nº. 10.412, de 12 de março de 2002, no governo do prefeito Jabes Ribeiro, o aeroporto recebeu oficialmente e com todo merecimento, o nome de Jorge Amado.  Atualmente, conta apenas com cinco companhias em operação, a LATAM, GOL, AVIANCA e AZUL, pois a BRA e WEB JET estiveram por aqui, por alguns meses e foram-se.  Mas, em Ilhéus sempre foi assim, inclusive nos últimos meses teve até ameaças de suspensão dos voos, ficando até o momento com certas restrições para pousos e decolagens por instrumentos, causando sérios prejuízos à região e ainda há promessas políticas, para um novo aeroporto, nas mediações do CEPEC, no Km 22 da Rodovia Ilhéus/Itabuna, ou em Juerana. Bom, aí será um novo capítulo do AEROPORTO, que um dia foi, Campo de Aviação do Pontal.

O que vimos durante todo este tempo, foram relatórios e mais relatórios, por parte da ANAC, que chegou ao primeiro momento, sugerir as cancelas eletrônicas, semáforos e guarita. De imediato, a Prefeitura de Ilhéus, tomou todas as providências, inclusive, fazendo testes destes equipamentos, parando o trânsito nas decolagens e aterrissagens das aeronaves.

Até técnicos do Cindacta 3, do Instituto de Cartografia da Aeronáutica, estiveram em Ilhéus por três dias, onde realizaram vistorias em terra, e sobrevoos pela área do aeroporto, enfim foi estudo pra mínguem “botar defeito”.

Passado o tempo, demoliram a guarita externa, as cancelas e os semáforos, na época exigida pela ANAC.

 

Texto: do Livro “Pontal Entre o Passado e o Presente” – Memórias

Autoria: José Rezende Mendonça

Téc. Agrícola – Aposentado da Ceplac



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