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:: ‘festival do chocolate’

DE CHOCOLATE E LITERATURA. ILHÉUS UM POLO TURÍSTICO?

Por Tica Simões

Ainda com o gosto do chocolate do Festival Internacional do Chocolate e Cacau (20 a 23/07), lembro o próximo 10 de agosto – aniversário de nascimento do nosso escritor maior, Jorge Amado. Naturalmente o festival, já na sua 9ª edição exitosa, tem trazido a Ilhéus inúmeras pessoas interessadas no chocolate e, outras, em realizar negócios relativos ao produto. Mas é verdade, também, que Ilhéus atrai visitantes por sua história, por sua literatura. Como sabemos, o cacau é presença temática no imaginário ficcional sulbaiano.

Cozinha Show com o chef Lucas Corazza_foto Divulgação

Não é novidade dizer que foi Jorge Amado quem iniciou o ciclo do Cacau da Literatura Brasileira nos anos 30, do século XX.Foi o tempo de uma região monocultora, de identidade sócioeconômica e cultural  de referência nacional e internacional. Ilhéus, município centro da lavoura cacaueira, também foi gerador de dramas. A Literatura conta a ambiência, a formação da nação grapiúna: do seu povo, da sua cultura, das suas origens. Anos 70, período áureo da Região do Cacau, foi tempo de muita riqueza na terra dos frutos de ouro.  A partir de 1989, o surgimento da praga da vassoura-de-bruxa (somada às anteriores, como a podridão parda) mudou o cenário de riqueza.

Nesse percurso, do apogeu à crise, o cacau e seus dramas foram tematizados na saga da nação grapiuna. O leitor  acompanha todo esse processo através dos textos literários, onde o contador de histórias relata a origem e o crescimento da civilização do cacau, o desenvolvimento de Ilhéus, o nascimento de Tabocas, depois Itabuna; denuncia as injustiças sociais, traça o perfil do coronel a sua prepotência; relata a servidão dos trabalhadores rurais; foca ademonstração da força política, do poder do mais forte,  descreve a identidade do grapiúna.

Vista aérea

Socialmente, com a crise da lavoura,a região passa a enxergar o quê, antes, o brilho do cacau não deixava ver: a sua singularidade – estar situada no coração da Mata Atlântica remanescente, na biosfera do descobrimento do Brasil e num dos litorais mais belos do país.Então, a região  empobrecida busca formas de sobrevivência, busca alternativas.  O turismo é uma delas.

Hoje, linkando literatura e turismo,  o tema cacau é potencializado como atração turístico-cultural. A ficção,  lida nos quatro cantos do mundo (principalmente a obra de Jorge Amado), fez leitores tornarem-se turistas à procura de re-conhecer o local imaginado.  Assim, a  literatura funciona como agenciadora do trânsito: de leitora turista (da ficção); de turista a leitor (da cidade); e o cacau é o mote.Nesse entendimento, o turismo, enquanto processo de viagem, cresce como atividade cultural e de impacto na economia e desenvolvimento das localidades.A literatura,veiculadora da cultura, é aqui olhada como fenômeno instigador do turismo.Dessa forma, operar o turismo através dela, implica uma compreensão do funcionamento do mercado cultural no contexto globalizado. É maneira de valorização do discurso literário e do bem simbólico local, consubstancializado para o turista através do patrimônio local.

Nessa perspectiva,a conciliação do estético com o turismofaz ressaltar a importância da cidade como cenário ficcional. Ao interpretar o ficcionalizado, o leitor tem a sua curiosidade aguçada para conhecer um mundo não familiar. Movido pela vontade de ver a paisagem que inspirou o texto literário, “passeia” pela cidade que a ficção oferece. Assim nasce o leitor-turista. Porém, não satisfeitosomente com a mobilidade ficcional, ele quer “ler” /ver, ao vivo e a cores, os locais reais tomados pela ficção. De leitor a turista é um passo: aquele que a mobilidade e o trânsito permitem. Torna-se turista-leitor, viajando para re-conhecer e observar as re-significações daquelas cidades, antes “visitadas” através da leitura. Ilhéus, berço da história do Cacau da Bahia, centro da sua produção e do seu consumo, é exemplo disso.Devido ao alcance da recepção da sua obra, Jorge Amado conquista turistas de múltiplas nacionalidades que, estando em locais os mais diversos, visitam a cidade apresentada nas páginas dos vários livros da saga cacaueira.  Isso porque, passando de leitor a turista, o tornado turista-leitor desloca-se em busca de reconhecer a região das páginas literárias. Mais recentemente, alguns vêm, anualmente, também visitar e degustar  no Festival Internacional de Chocolate e Cacau; neste ano, o festival foi acrescentado  de exposição sobre as memórias do cacau, em homenagem ao incentivador do chocolate, o cidadão Barão de Popoff.

Assim, tem chegado a Ilhéus um turista-leitor ávido por provar o fruto do cacau eo chocolate. Porre-conhecer a Gabriela, o Vesúvio, o Bataclan… Sentar na praça da catedral, ou andar nas ruas estreitas da cidade por onde passavam Malvina e Gerusa. Ansioso por “ler” a cidade como texto cultural.  Mas a decadência da lavoura atingiu a cidade. Os palacetes dos coronéis estão desabitados ou transformados. Enquanto o turista busca o reconhecimento, a presença do imaginário do cacau da obra literária se faz, para o ilheense, reconfigurada em exploração turística. Sentindo-se um tanto dono da “marca”, ele busca explorar o quê o imaginário do cacau produziu. Faz a sua cidade re-ler a literatura através de apelos semióticos. Agora, o turista-leitor encontra um Bataclan restaurado fisicamente e ressignificado; um Vesúvio transformado em restaurante; a casa de Jorge Amado, em museu da sua vida e obra; um Centro de vendas de artesanato, tendo o cacau e suas variações como elemento temático a ser oferecido ao consumo do turista… O signo Gabriela está por toda a parte; atrai pela beleza, sensualidade, cheiro (de cravo e canela), instituindo o “tipo” Grabriela, vinculada ao tempo áureo do cacau, estabelecendo “pontes” entre o imaginado e o real. Dessa forma, passa a acontecer a relação entre os ilheenses e os turistas, na maneira de receber, de comer, de viver; tal relação,sem dúvida, contribui para a cidadania cultural locale para o desenvolvimento regional.

Por essas reflexões, retomo a questão inicial entendendo que a literatura, especialmente a amadiana, contribui para atrair turistas para região e para Ilhéus, município capital do cacau.Pólo turístico- por suariqueza histórica, excepcional  beleza natural e, mais, pelo chocolate e pelaliteratura -,  Ilhéus é merecedora de uma administração pública que valorize e impulsione o seu potencial.

Tica Simões / Maria de Lourdes Netto Simões. Pós-doutora em Literatura Comparada e Turismo Cultural. Ensaista. Consultora para assuntos literários e culturais. Professora/pesquisadora, aposentada da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC. Agenda 34.

FESTIVAL DO CHOCOLATE MANTÉM HOTÉIS DE ILHÉUS CHEIOS

Da Secom/Ilhéus 

Eleita por especialistas como um dos melhores destinos de lazer, negócio, gastronomia e entretenimento no Brasil, Ilhéus é uma das cidades mais importantes no cenário do turismo baiano. O município possui uma rede hoteleira com aproximadamente 9 mil leitos, que vão desde empreendimentos de luxo a simples albergues. No mês passado, a excelente quantidade de visitantes refletiu na média de ocupação dos hotéis e pousadas, que registraram índice médio de 80 por cento de ocupação, segundo dados da Secretaria Municipal de Turismo e Esporte (Setur) e empresários do setor hoteleiro.

A alta ocupação vem sendo atribuída aos grandes eventos que ocorreram na cidade, como os Festejos Juninos e as programações do Dia da Cidade. Ilhéus também sediou a 107ª Assembleia Geral Ordinária (AGO), da Convenção das Igrejas Assembleias de Deus na Bahia (Ceadeb) que reuniu 4 mil convencionais, movimentando toda a rede hoteleira, restaurantes e o comércio em geral, trazendo ganhos econômicos significativos para a cidade.

Durante os próximos dias, a cidade sediará o 9º Festival Internacional do Chocolate e Cacau, evento de agronegócio, turismo e gastronomia que pretende atrair cerca de 50 mil visitantes, de acordo com os organizadores do evento. O secretário Roberto Lobão, disse que Ilhéus vive um momento bom no cenário turístico e que os eventos na cidade dão estímulo à geração de emprego e renda, mexendo com a cadeia produtiva local. “Estamos consolidando a cidade com o cenário nacional de eventos. Recentemente uma empresa de aviação requisitou nosso material para divulgar nossa potencialidade nas suas publicações. No mês passado, a Folha de São Paulo publicou um recorte das nossas mídias digitais”, comemorou.

O Festival acontece no Centro de Convenções e atrairá visitantes de vários estados e países. O evento será realizado de 20 e 23 de julho e apresentará toda a cadeia produtiva do cacau ao chocolate, com os melhores chocolates de origem do Brasil, além de workshops, fórum, exposição, visita às fazendas de cacau entre outros. “Além de movimentar o turismo e a matriz econômica regional, o festival estimula a formatação de novos negócios, verticaliza a produção do cacau agregando valor desde a amêndoa até a produção do chocolate. Talvez seja o principal evento da região, se não for um dos principais eventos do estado, pela mídia gerada e pelo fluxo que ele consegue promover.”, avalia o idealizador e coordenador do Chocolat Bahia, o publicitário Marco Lessa.

FUNDADOR DA MAIOR COMUNIDADE SOBRE CHOCOLATE DO MUNDO ESTARÁ NO FESTIVAL EM ILHÉUS

O passado presente e futuro do chocolate artesanal é tema da palestra do escritor americano Clay Gordon_foto reprodução

Durante a nona edição do Festival Internacional do Chocolate e Cacau – Chocolat Bahia, que acontece de 20 a 23 de julho em Ilhéus, especialistas internacionais ministrarão palestras gratuitas sobre diversos aspectos do setor.

O passado, presente e futuro do chocolate artesanal será o tema abordado pelo escritor norte americano Clay Gordon, autor do livro Descubra o chocolate: o guia final de compra, degustação e aproveitamento de chocolate fino (em livre tradução). Gordon também é fundador da TheChocolateLife.com, maior comunidade focada exclusivamente no chocolate no mundo.

Os indianos radicados nos Estados Unidos Andal Balu e Mannarsamy Balasubramanian apresentarão tecnologias para processamento do cacau e produção de chocolate artesanal a partir da amêndoa. O casal é proprietário da indústria CocoaTown, em Atlanta, que projeta, fabrica e distribui uma linha de equipamentos compactos para ajudar pequenos produtores a fazer chocolate gourmet bean to bar (do grão à barra). Já a portuguesa Goretti Silva, professora de Turismo e proprietária da empresa Na Rota do Chocolate, na região de Viana do Castelo, em Portugal, trará o tema Turismo associado ao chocolate.

Todas as palestras serão realizadas no Centro de Convenções de Ilhéus, a partir das 16h do dia 22, durante o Chocoday, parte da programação do Chocolat Bahia – 9º Festival Internacional do Chocolate e Cacau. A entrada é gratuita.



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