WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia
secom bahia teatro itabuna secom bahia


agosto 2019
D S T Q Q S S
« jul    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031


:: ‘cacau’

GOVERNO DA BAHIA DEFINE NOVO MODELO DE MANEJO DO CACAU CABRUCA

Do Tabuleiro

Cacau

O Governo da Bahia publica, na próxima semana, a portaria que dá novas diretrizes ao manejo de cacau no sul da Bahia, conhecida como ‘Portaria da Cabruca’.

O anúncio foi feito pelo secretário estadual do Meio Ambiente, João Carlos Oliveira, durante palestra sobre políticas públicas para o cacau e incentivos a legislação ambiental, no Chocolat Festival, evento realizado até este domingo (14) na Bienal do Ibirapuera, em São Paulo.

A portaria incentiva a produção de cacau em áreas de mata nativa, com sombreamento, passando da média atual de 300 para 700 pés de cacau por hectare, preservando a Mata Atlântica. O sistema de manejo vai possibilitar o aumento da produção e da produtividade no sul da Bahia.

“Isso representa um avanço muito grande. Era uma reivindicação dos produtores de cacau, cuja efetivação pelo Governo do Estado se deu num processo de construção coletiva, com a participação de pesquisadores e técnicos da Universidade Estadual de Santa Cruz, Inema, Ceplac, Ministério do Meio Ambiente, Secretaria do Meio Ambiente e associações de produtores”, afirmou o secretário.

João Carlos Oliveira destacou ainda que “o cacau é uma planta conservacionista e, graças a esse cultivo, o sul da Bahia possui grandes áreas de Mata Atlântica. É um produto inserido na sustentabilidade econômica, social, cultural e ambiental”.

PRODUTORES DE CACAU DA BAHIA DEVEM VOLTAR A ACESSAR CRÉDITO RURAL

Da Secom/Bahia

Cacau

Agricultores familiares produtores de cacau da Bahia devem voltar a fazer financiamento de crédito para implantação, ampliação ou modernização da estrutura de produção, beneficiamento, agroindustrialização do cacau, entre outras ações. A medida foi discutida, nesta terça-feira (12), por dirigentes e técnicos da Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado da Bahia (SDR) e do Banco do Nordeste, no município de Ilhéus.

O secretário em exercício da SDR, Jeandro Ribeiro, apresentou as diversas ações que estão sendo realizadas pela secretaria para fortalecer a cacauicultura baiana, como assistência técnica e extensão rural (Ater), apoio à reforma agrária, regularização fundiária, mecanização rural, além dos investimentos realizados por meio de projetos como o Pró-Semiárido e o Bahia Produtiva.

Ribeiro enfatizou que é preciso somar esforços para a região cacaueira: “É um desafio que trazemos, mas essa é uma estratégia de juntar todos os investimentos e potencializá-los como esse acesso ao crédito”.

Estiveram presentes técnicos da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR/SDR) e da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater/SDR), além de agentes das prestadoras de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) dos Territórios de Identidade Litoral Sul, Baixo Sul, Médio Rio das Contas e Costa do Descobrimento.

Segundo o superintendente do Banco do Nordeste, José Gomes, com a SDR surgiu a possibilidade de voltar a atender os produtores de cacau: “Estamos aprofundando a discussão para atender os produtores que se encaixarem no perfil para o crédito para que possam retornar as atividades preponderantes na região”, disse.

Para operacionalizar crédito para a cacauicultura foram realizados encaminhamentos como visitas às áreas produtivas, capacitação das entidades de ater e andamento do projeto de conservação produtiva.

Plano operacional – A reunião é desdobramento da estratégia do Plano Operacional para o Cacau e Chocolate da Bahia, lançado pelo Governo do Estado, em novembro de 2018, que atenderá 20 mil agricultores. O plano prevê o desenvolvimento de ações que permitirão elevar, em cinco anos, a produção de cacau na Bahia para 240 mil toneladas/ano, até 2022, e consolidar a fabricação de chocolates finos com certificado de origem no Sul da Bahia.

ILHÉUS: HOMEM PERDE PARTE DA PERNA EM ACIDENTE COM MÁQUINA INDUSTRIAL

Do Ilhéus 24h

Barry

Um colaborador da empresa Barry Callebaut, fábrica de chocolate localizada no Distrito Industrial de Ilhéus, sofreu acidente de trabalho na tarde desta quinta-feira, (8) e levou um corte profundo na perna.

Segundo informações, Cássio Marques estava numa sala de operações de maquinários, no momento em que uma “máquina de valorização” quebrou e partiu em várias partes e, infelizmente um pedaço do metal foi arremessado na perna do colaborador, provocando um corte profundo.

O trabalhador foi socorrido pela brigada de emergência e levado para o Hospital Costa do Cacau, onde passou por cirurgia, mas não conseguiu recuperar a perna, tendo que amputar abaixo do joelho. Seu caso é estável e ele não sofre risco de morte.

Posicionamento da empresa

Em nota, a Barry Callebaut informou que a falha “rara e imprevisível” ocorreu num equipamento chamado soprador e que vem prestando assistência ao funcionário e família. De acordo com a multinacional, a unidade de Ilhéus operava há mais de 1000 dias sem acidentes que causassem afastamento de trabalhadores e que vem investindo milhões de reais para melhorar a segurança de seus colaboradores e terceiros.

 

CACAU DA BAHIA OBTÉM SELO DE ORIGEM DO INSTITUTO DE PROPRIEDADE INTELECTUAL

Do Pimenta

Cacau sendo embarcado no porto de Ilhéus. Foto Luiza Alves

O Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) concedeu registro de Indicação Geográfica (IG), na espécie Indicação de Procedência (IP), para o produto “Amêndoas de cacau” do sul da Bahia. A decisão foi publicada na Revista de Propriedade Industrial (RPI). O INPI afirma que a área geográfica protegida inclui mais de 80 municípios da região cacaueira da Bahia, entre os paralelos 13º03’ e 18º21’ sul e os meridianos 38º51’ e 40º49’ a oeste de Greenwich.

O Instituto de Propriedade Intelectual destaca ainda que a atividade econômica cacaueira no sul da Bahia começou nos meados do século XVIII. Nos últimos anos, novas gerações de produtores introduziram inovações em métodos de cultivo e gestão agrícola, como, por exemplo, iniciativas do chamado “cacau fino”. A IG foi solicitada pela Associação dos Produtores de Cacau do Sul da Bahia, que desde 2014 esperava pela decisão.

O registro de Indicação Geográfica permite delimitar uma área geográfica, restringindo o uso de seu nome aos produtores e prestadores de serviços da região (em geral, organizados em entidades representativas). A espécie de IG chamada “Denominação de Origem” reconhece o nome de um país, cidade ou região cujo produto ou serviço tem certas características específicas graças a seu meio geográfico, incluídos fatores naturais e humanos.

Já a espécie “Indicação de Procedência” se refere ao nome de um país, cidade ou região conhecido como centro de extração, produção ou fabricação de determinado produto ou de prestação de determinado serviço.

10ª EDIÇÃO DO FESTIVAL DO CHOCOLATE JÁ TEM DATA

Festival bate recordes a cada ano.

Com alto teor de cacau selecionado de fazendas do Sul da Bahia, o chocolate de origem é celebrado no maior evento do segmento no Brasil. Entre 18 e 22 de julho será realizado, em Ilhéus, o CHOCOLAT BAHIA, décima edição do Festival Internacional do Chocolate e Cacau. Voltado para consumidores e profissionais da área, o Chocolat atrai anualmente milhares de visitantes, marcando o calendário turístico da cidade e firmando o Sul da Bahia como principal região produtora de chocolate de origem do Brasil. Durante cinco dias, o Festival reunirá mais de 30 marcas de chocolate e cerca de 80 expositores no pavilhão de feiras Centro de Convenções de Ilhéus, além de promover cursos de capacitação, debates sobre temas do setor, rodadas de negócios e palestras ministradas por especialistas internacionais.

A programação do Chocolat Bahia inclui workshops de receitas à base de chocolate com renomados chefs do país, atraindo mais de 60 mil visitantes e gerando mais de 2 mil empregos diretos e indiretos. Visitas a fazendas produtoras de cacau, exposição de esculturas de chocolate e uma vasta programação cultural também integram o Chocolat Bahia.

Para Marco Lessa, idealizador do projeto e organizador do evento, o Festival é também uma forma de promover Ilhéus como polo chocolateiro e difundir a cadeia produtiva do cacau. “Temos o maior evento profissional dessa área reunindo consumidores, especialistas e produtores, uma oportunidade para discutir a industrialização, a verticalização da produção e, consequentemente, a melhoria da qualidade das amêndoas de cacau selecionado e produto final elaborado”, afirma.

Com o objetivo de promover a visibilidade do chocolate de origem e fomentar os negócios da cacauicultura no país, o CHOCOLAT BAHIA – 10º Festival Internacional do Chocolate e Cacau que conta com a participação do Costa do Cacau Convention Bureau e Associação de Turismo de Ilhéus em parceria com o Governo do Estado da Bahia através das secretarias da Cultura, do Turismo, do Desenvolvimento Rural, de Agricultura, de Ciências Tecnologia e Informação, Prefeitura Municipal de Ilhéus, Banco do Nordeste, Sebrae, Caixa Econômica Federal, Ceplac, entre outras instituições, e conta com a realização da MVU Eventos.

ESTRADA DO CACAU E DO CHOCOLATE AVANÇA COMO PRIMEIRA ESTRADA TEMÁTICA

Da Secom/Ilhéus

Reunião

As primeiras placas de sinalização já estão instaladas às margens da rodovia BA 262. Nos 44 quilômetros entre a primeira fábrica do chocolate caseiro, localizada no Distrito Industrial de Ilhéus, e o entroncamento com a BR 101, no município de Uruçuca, o projeto da primeira estrada temática da Bahia traduz no cenário bucólico das fazendas de cacau, a oportunidade de reunir história, tradição e bons negócios, criando-se um novo equipamento turístico para toda a região.

A formatação da Estrada do Cacau e do Chocolate está em pleno andamento. Nesta fase anunciada em um encontro hoje (28) pela manhã, com produtores e entusiastas da iniciativa, caberá ao Sebrae unir os equipamentos, qualificar os novos protagonistas desta história e lincar cada produto que faz parte desta rota para que fábricas de chocolates gourmet, fazendas históricas, assentamentos, unidades industriais chocolateiras e até instituições de ensino possam fazer parte de uma única história, de um tema que une toda uma região produtora de cacau e derivados.

Esperanças renovadas – “O chão do cacau, a produção, o chocolate que renova nossas forças econômicas, fazem parte de muito do que a gente quer mostrar. Este é um pedaço histórico da região, que ganha força após cinco anos de debate”, destaca o vice-prefeito de Ilhéus e secretário municipal de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável (Seplandes), José Nazal, presente ao encontro.

A expectativa é de que, já durante a 10ª edição do Festival Internacional do Chocolate, que acontecerá entre 18 e 22 de julho, em Ilhéus, o projeto esteja em atividade, com algumas fazendas já atuando com receptivo. Nazal projeta: “Iniciamos agora no segundo semestre deste ano e chegamos ao verão de 2019 como uma nova opção de turismo, conhecimento e lazer para os moradores da região e para os visitantes”.

Neste encontro realizado no Sebrae, estiveram presentes representantes do Governo da Bahia, de Prefeituras regionais, produtores – alguns com equipamentos já formatados e outros em busca de mais informações sobre a estrada. Da Prefeitura, além de Nazal, estiveram o secretário interino de Turismo e Esporte, Hélio Ricardo de Jesus; e da Industria e Comércio, Paulo Sérgio Santos.

Tradição e inovação – A tradição da família do agricultor Waldemar Policarpo, há décadas dono de uma fazenda que já produz chocolate Gourmet, juntou-se à proposta do produtor Carlos Tomich, que organiza sua propriedade para ser ponto de visitação. O primeiro, filho da terra, cresceu vendo o trem passar pela velha estação do Rio do Braço. Tomich, mineiro de Teófilo Otoni, pensa em agregar valor. No centro de Ilhéus é dono do prédio Bataclan, cenário dos romances de Jorge Amado. “Formatar a fazenda como mais uma opção de lazer é agregar valor ao que já tenho”, raciocina.

O primeiro roteiro turístico temático da Bahia abrange inicialmente os municípios de Ilhéus e Uruçuca, apresentando a sua potencialidade histórica nos cenários das fazendas de cacau e as belezas naturais encontradas em seu trajeto, a exemplo de rios, cachoeiras e áreas de preservação ambiental. Inclui ainda as fábricas do parque moageiro de cacau, no Distrito Industrial de Ilhéus, fazendas/fábrica de chocolate gourmet, a Estação Rio do Braço, sede do antigo distrito de Ilhéus e a Biofábrica do Cacau. A Estrada do Chocolate também resgata para os visitantes cenários da obra do escritor Jorge Amado, conhecida em todo o mundo.

SELO DE INDICAÇÃO GEOGRÁFICA AGREGA VALOR AO CACAU DO SUL DA BAHIA

Do Tabuleiro

Cacau

A conquista do Selo de Indicação Geográfica continua sendo comemorada pelos produtores de cacau do sul da Bahia. Na manhã desta segunda-feira, dia 5, o diretor executivo da Associação Cacau Sul da Bahia, Cristiano Sant’ana, falou sobre o assunto, durante entrevista ao comunicador Vila Nova, apresentador do programa O Tabuleiro, na Ilhéus FM (105,9).

De acordo com Cristiano, o selo reconhece características únicas da produção de cacau na região, sendo resultado de um trabalho de pelo 10 anos. Ainda de acordo com o diretor, o selo agrega valor ao cacau e chocolate produzido, estando em consonância com o perfil dos atuais consumidores, que não buscam apenas o produto, mas também a sua história.

Durante a entrevista, Cristiano revelou acreditar que a conquista do selo colocou o cacau sul baiano no patamar de outros produtos detentores do selo, como o café do cerrado e o queijo canastra. Segundo ele, os trabalhos da Associação agora se concentram em uma maior aproximação com os produtores e com o trade turístico, este último, pela possibilidade de contribuir para o desenvolvimento econômico da região.

SUL DA BAHIA RECEBE INDICAÇÃO GEOGRÁFICA PARA AMÊNDOA DE CACAU

Cacau

Nesta semana, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu o registro de in dicação de procedência de amêndoa de cacau como produto de origem da Região Sul da Bahia (uma área geográfica que envolve 83 municípios). “A Indicação Geográfica (IG) é uma proteção de uso exclusivo de quem produz um bem ou um serviço; no caso do Sul da Bahia, dos cacauicultores que produzem cacau historicamente naquela região, então esse cacau está protegido”, explica o pesquisador do Instituto Federal Baiano (IF Baiano) – Campus Uruçuca, professor Durval Libânio.

Esse resultado positivo, concedido à Associação dos Produtores de Cacau do Sul da Bahia e intermediado pelo Instituto Federal Baiano (IF Baiano), é fruto de um trabalho realizado por várias instituições (inclusive de pesquisa) relacionadas à cultura do cacau. “Somente agora os 83 municípios vão poder usar o conceito Sul da Bahia com toda sua História, sua riqueza, das histórias de Jorge Amado, do cacau-cabruca (forma de plantio de cacauais que utiliza as árvores da Mata Atlântica)… A IG não se cria, se reconhece, é um produto que tem fama e origem”, destaca Libânio.

“Com a Indicação Geográfica, você tem todo um processo de padronização, de garantia de qualidade, para o consumidor. Somos a segunda IG da Bahia (a primeira foi a cachaça de Abaíra), a maior em área territorial (83 municípios). Um fato histórico e, para o IF Baiano, de extrema importância porque nossos Institutos Federais têm essa perspectiva de trabalhar Pesquisa com a ciência aplicada em dados concretos para a sociedade”, finaliza o professor.

CACAU DE ILHÉUS A CAMINHO DE OBTER O SELO DE INDICAÇÃO GEOGRÁFICA 

Do Tabuleiro 

Assim como o chocolate da Suíça e o champanhe da França, a Bahia busca ser reconhecida pela originalidade de produção de três itens: o café em grão do Oeste, as amêndoas de cacau do Sul, que estão avançados no processo, e o charuto do Recôncavo, que iniciou o pedido no ano passado.

Associações de produtores se reuniram para reivindicar o registro de Indicação Geográfica (IG), concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) a cidades ou regiões que ganham fama por qualidade e tradições de produtos específicos.

A Bahia já possui o reconhecimento para as uvas de mesa e manga do Vale do Submédio São Francisco e para a cachaça de Abaíra, que conquistaram o título em 2009 e 2014, respectivamente.

Nesta quarta-feira (13), foi lançada a nova versão do Mapa das Indicações Geográficas do Brasil, produzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o INPI. Ao todo, 53 produtos brasileiros são reconhecidos com a indicação geográfica. A conquista das IGs podem alavancar as vendas de determinado local, ao posicionar o produto como único. É o caso das cachaças de Abaíra, que aumentaram suas vendas em cerca de 60% após o título de exclusividade.

O café em grãos do Oeste, presente principalmente em Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, São Desidério e Cocos, que movimenta R$ 192 milhões anualmente com a venda de 24 milhões de quilos de café, é um exemplo de produto que possui características de solo, clima, culturais e históricas únicas e que, por isso, tenta ganhar o reconhecimento com a Indicação Geográfica por Indicação de Procedência, que reconhece o local que produz determinado produto.

O diretor explica que não ter chuvas no período de colheita do café, que é realizado anualmente, e ter 100% de mecanização na produção faz com que a qualidade dos cafés da região do Oeste seja melhor. Maia ainda explica que a busca pela IG fez com que os 27 cafeicultores da associação se reunissem e debatessem melhores aspectos para o produto, buscando ter 100% do processo igual. A associação espera alavancar as vendas com o reconhecimento, mas não tem estimativa do impacto financeiro.

“Nós temos um café de alta tecnologia. Nenhum lugar do mundo produz o que temos aqui. Nós ainda temos o compromisso com a questão ambiental, de preservar os rios e produzir na área plana, o que é outro diferencial nosso. Essa busca faz com que os envolvidos na produção tenham uma maior organização e que a qualidade melhore”, explicou.

AMÊNDOAS DE CACAU DO SUL DA BAHIA

Além do café, a Associação dos Produtores de Cacau do Sul da Bahia busca o reconhecimento para as amêndoas de cacau da região, presente em 83 municípios em uma área de aproximadamente 61.460 km², principalmente em Ilhéus, Itabuna, Camacan e Belmonte. Os dois pedidos já estão avançados no INPI.

Um dos fundadores do projeto e dono dos chocolates Maltez, José Maltez explica que os produtores de cacau buscam destacar o produto.

Maltez explica que não há uma estimativa específica de ganho, mas que os produtores têm conhecimento que o selo de qualidade destaca o produto. “Quando se recebe o selo, quer dizer que o produto tem uma qualidade superior. E é esse o reconhecimento que nós queremos ter”, disse.

DE CHOCOLATE E LITERATURA. ILHÉUS UM POLO TURÍSTICO?

Por Tica Simões

Ainda com o gosto do chocolate do Festival Internacional do Chocolate e Cacau (20 a 23/07), lembro o próximo 10 de agosto – aniversário de nascimento do nosso escritor maior, Jorge Amado. Naturalmente o festival, já na sua 9ª edição exitosa, tem trazido a Ilhéus inúmeras pessoas interessadas no chocolate e, outras, em realizar negócios relativos ao produto. Mas é verdade, também, que Ilhéus atrai visitantes por sua história, por sua literatura. Como sabemos, o cacau é presença temática no imaginário ficcional sulbaiano.

Cozinha Show com o chef Lucas Corazza_foto Divulgação

Não é novidade dizer que foi Jorge Amado quem iniciou o ciclo do Cacau da Literatura Brasileira nos anos 30, do século XX.Foi o tempo de uma região monocultora, de identidade sócioeconômica e cultural  de referência nacional e internacional. Ilhéus, município centro da lavoura cacaueira, também foi gerador de dramas. A Literatura conta a ambiência, a formação da nação grapiúna: do seu povo, da sua cultura, das suas origens. Anos 70, período áureo da Região do Cacau, foi tempo de muita riqueza na terra dos frutos de ouro.  A partir de 1989, o surgimento da praga da vassoura-de-bruxa (somada às anteriores, como a podridão parda) mudou o cenário de riqueza.

Nesse percurso, do apogeu à crise, o cacau e seus dramas foram tematizados na saga da nação grapiuna. O leitor  acompanha todo esse processo através dos textos literários, onde o contador de histórias relata a origem e o crescimento da civilização do cacau, o desenvolvimento de Ilhéus, o nascimento de Tabocas, depois Itabuna; denuncia as injustiças sociais, traça o perfil do coronel a sua prepotência; relata a servidão dos trabalhadores rurais; foca ademonstração da força política, do poder do mais forte,  descreve a identidade do grapiúna.

Vista aérea

Socialmente, com a crise da lavoura,a região passa a enxergar o quê, antes, o brilho do cacau não deixava ver: a sua singularidade – estar situada no coração da Mata Atlântica remanescente, na biosfera do descobrimento do Brasil e num dos litorais mais belos do país.Então, a região  empobrecida busca formas de sobrevivência, busca alternativas.  O turismo é uma delas.

Hoje, linkando literatura e turismo,  o tema cacau é potencializado como atração turístico-cultural. A ficção,  lida nos quatro cantos do mundo (principalmente a obra de Jorge Amado), fez leitores tornarem-se turistas à procura de re-conhecer o local imaginado.  Assim, a  literatura funciona como agenciadora do trânsito: de leitora turista (da ficção); de turista a leitor (da cidade); e o cacau é o mote.Nesse entendimento, o turismo, enquanto processo de viagem, cresce como atividade cultural e de impacto na economia e desenvolvimento das localidades.A literatura,veiculadora da cultura, é aqui olhada como fenômeno instigador do turismo.Dessa forma, operar o turismo através dela, implica uma compreensão do funcionamento do mercado cultural no contexto globalizado. É maneira de valorização do discurso literário e do bem simbólico local, consubstancializado para o turista através do patrimônio local.

Nessa perspectiva,a conciliação do estético com o turismofaz ressaltar a importância da cidade como cenário ficcional. Ao interpretar o ficcionalizado, o leitor tem a sua curiosidade aguçada para conhecer um mundo não familiar. Movido pela vontade de ver a paisagem que inspirou o texto literário, “passeia” pela cidade que a ficção oferece. Assim nasce o leitor-turista. Porém, não satisfeitosomente com a mobilidade ficcional, ele quer “ler” /ver, ao vivo e a cores, os locais reais tomados pela ficção. De leitor a turista é um passo: aquele que a mobilidade e o trânsito permitem. Torna-se turista-leitor, viajando para re-conhecer e observar as re-significações daquelas cidades, antes “visitadas” através da leitura. Ilhéus, berço da história do Cacau da Bahia, centro da sua produção e do seu consumo, é exemplo disso.Devido ao alcance da recepção da sua obra, Jorge Amado conquista turistas de múltiplas nacionalidades que, estando em locais os mais diversos, visitam a cidade apresentada nas páginas dos vários livros da saga cacaueira.  Isso porque, passando de leitor a turista, o tornado turista-leitor desloca-se em busca de reconhecer a região das páginas literárias. Mais recentemente, alguns vêm, anualmente, também visitar e degustar  no Festival Internacional de Chocolate e Cacau; neste ano, o festival foi acrescentado  de exposição sobre as memórias do cacau, em homenagem ao incentivador do chocolate, o cidadão Barão de Popoff.

Assim, tem chegado a Ilhéus um turista-leitor ávido por provar o fruto do cacau eo chocolate. Porre-conhecer a Gabriela, o Vesúvio, o Bataclan… Sentar na praça da catedral, ou andar nas ruas estreitas da cidade por onde passavam Malvina e Gerusa. Ansioso por “ler” a cidade como texto cultural.  Mas a decadência da lavoura atingiu a cidade. Os palacetes dos coronéis estão desabitados ou transformados. Enquanto o turista busca o reconhecimento, a presença do imaginário do cacau da obra literária se faz, para o ilheense, reconfigurada em exploração turística. Sentindo-se um tanto dono da “marca”, ele busca explorar o quê o imaginário do cacau produziu. Faz a sua cidade re-ler a literatura através de apelos semióticos. Agora, o turista-leitor encontra um Bataclan restaurado fisicamente e ressignificado; um Vesúvio transformado em restaurante; a casa de Jorge Amado, em museu da sua vida e obra; um Centro de vendas de artesanato, tendo o cacau e suas variações como elemento temático a ser oferecido ao consumo do turista… O signo Gabriela está por toda a parte; atrai pela beleza, sensualidade, cheiro (de cravo e canela), instituindo o “tipo” Grabriela, vinculada ao tempo áureo do cacau, estabelecendo “pontes” entre o imaginado e o real. Dessa forma, passa a acontecer a relação entre os ilheenses e os turistas, na maneira de receber, de comer, de viver; tal relação,sem dúvida, contribui para a cidadania cultural locale para o desenvolvimento regional.

Por essas reflexões, retomo a questão inicial entendendo que a literatura, especialmente a amadiana, contribui para atrair turistas para região e para Ilhéus, município capital do cacau.Pólo turístico- por suariqueza histórica, excepcional  beleza natural e, mais, pelo chocolate e pelaliteratura -,  Ilhéus é merecedora de uma administração pública que valorize e impulsione o seu potencial.

Tica Simões / Maria de Lourdes Netto Simões. Pós-doutora em Literatura Comparada e Turismo Cultural. Ensaista. Consultora para assuntos literários e culturais. Professora/pesquisadora, aposentada da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC. Agenda 34.



WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia