WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia


agosto 2018
D S T Q Q S S
« jul    
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  


:: ‘Artigos’

O PROTESTO COMO UMA DAS FORMAS DE CIDADANIA E ELEMENTO ESSENCIAL DE EQUILÍBRIO DA DEMOCRACIA

Por Hernani Sá

No Brasil, o direito ao protesto é garantido constitucionalmente pela combinação de três direitos previstos no artigo 5º da Constituição Federal, sendo eles: Liberdade de Expressão, Liberdade de Reunião e Liberdade de Associação.

 A Liberdade de Expressão consta no art. 5º, inciso IV, da CF que diz: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;”.

Dentro dessa perspectiva, considerando que vivemos em uma democracia representativa, em que os nossos governantes e legisladores precisam estar atentos aos anseios populares e ao dinamismo da sociedade, é através do PROTESTO que a voz do povo se manifesta, podendo assim, nortear as políticas públicas prioritárias. Segundo Abraham Lincoln, “a democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo”.

Triste saber que, na madrugada entre os dias 01 e 02 de março de 2018, faixas com os dizeres: “FORUM AQUI NÃO”, “QUEREMOS PRAÇA ARBORIZADA, NÃO FÓRUM!” e “A PRAÇA É DO LOTEAMENTO!”, colocadas, com recursos próprios, por moradores do Loteamento Jardim Atlântico I, que lutam pela preservação da área verde daquele loteamento, tiveram suas faixas de protesto subtraídas por pessoas que querem enfraquecer o movimento ÁREA VERDE SIM !!!

Na intenção de empurrar goela baixo à construção de um novo fórum, foi apresentado projeto de lei pelo Prefeito de Ilhéus em 22/02/2018, tombado junto à câmara de vereadores sob o número 004/2018, frise-se, que visa DOAR a ÁREA VERDE do referido loteamento para o Tribunal de Justiça da Bahia, que pretende construir um novo fórum no local. Não é demais ressaltar que a pretensão do poder executivo fere claramente a legislação constitucional, alei federal de loteamento nº 6.766/79, o Estatuto da Cidade (lei nº 10.257/2001), o Código Florestal (lei nº 12.651/2012), o Plano Diretor Participativo de Ilhéus (lei Municipal nº 3.265/2006), a Lei de Uso e Ocupação do Solo (lei municipal nº 3.746/2015), a Lei Orgânica do Município, além de tratados internacionais, a exemplo da “Convenção para a Proteção da Flora, da Fauna e das Belezas Cênicas Naturais dos Países da América de 1949” – ratificado pelo Decreto-Lei 58.054/66 e promulgado pelo Senado Federal Brasileiro em 23 de março de 1966, tornando, por conseguinte, caso a construção do fórum seja aprovada e realizada, um CRIME AMBIENTAL FEDERAL.

Tratando-se de uma ÁREA VERDE em local urbano, residencial, com área superior a 1 ha (um hectare), conforme planta e memorial descritivo do loteamento, devidamente aprovado pelo município de Ilhéus e registrado no cartório de registro de imóveis, o poder público JAMAIS poderia iniciar a remoção das espécies nativas, dando início à obra, sem antes fazer um ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL, submetê-lo ao Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (CONDEMA), para só então, depois de obter a licença ambiental, submeter um projeto de lei, com a pretensão de doar a área para a construção de um novo fórum, ao crivo do poder legislativo, que precisa de elementos técnicos para julgar um projeto desta natureza.

Cumpre salientar, que mesmo estando em fase de tramitação junto ao poder legislativo, que irá aprovar ou rejeitar o projeto de lei nº 004/2018, de forma anômala, o Tribunal de Justiça da Bahia já publicou edital de licitação da obra como se o terreno fosse pertencente ao referido tribunal, conforme se constata por meio do EDITAL de CONCORRÊNCIA PÚBLICA nº 002/2018, aberto em 29/01/2018 às 09:30 hs, publicado no Diário da Justiça.

Diante do edital publicado pelo poder judiciário, que considera a área já pertencente ao tribunal de justiça antes mesmo do projeto de doação ser aprovado, resta o questionamento se o poder legislativo municipal exercerá democraticamente a sua independência funcional, ou se irá sofrer pressões externas para cumprir tabela e legitimar as ilegalidades já cometidas, o que colocaria em risco o Estado Democrático de Direito e a Ordem Pública.

Creio que temos vereadores técnicos, trabalhando com isenção no parecer das comissões, o que, por conseguinte, levará a reprovação do projeto de lei pela câmara municipal legislativa, pois abrir precedentes para legitimar ilegalidades cometidas pelo poder executivo incentivaria o VANDALISMO INSTITUCIONAL.

Pelas razões expostas, este projeto de lei nº 004/2018 NÃO PODE SER APROVADO pela câmara municipal, seja por questões de ilegalidade, seja por não corresponder com os anseios da população local. Devem, portanto, os vereadores, agir tecnicamente e ouvir os anseios da população, como dignos representantes do povo que lhe elegeu e lhe confiou o mandato.

Ilhéus, 04 de março de 2018.

HERNANI LOPES DE SÁ

Um dos representantes do movimento ÁREA VERDE SIM !!!

BOA RELAÇÃO PRESERVA DIÁLOGO COM O ESTADO E FAVORECE AS CONQUISTAS NA SAÚDE

Por Alcides Kruschewsky, secretário de Comunicação da Prefeitura de Ilhéus

Tudo isso tornou-se possível graças ao distensionamento das relações políticas e pessoais entre os gestores das diferentes esferas governamentais. Com diálogo, mesmo com divergências de pontos de vista, os resultados aparecem e a população será beneficiada.

Diferente do azedume que interrompeu os entendimentos na área de saúde entre o governo da Bahia e o governo de Ilhéus, especialmente após a nomeação do médico Claudio Moura Costa para a direção do Hospital Regional LVF, de quem o ex prefeito é desafeto, a relação respeitosa entre os representantes estaduais e municipais favorece o diálogo e a população já consegue sentir os resultados positivos. O governo do estado vai investir mais 15 milhões de reais para reestruturar a saúde em Ilhéus.

Paralelamente a esse anúncio, fruto da parceria entre estado e município, a Prefeitura de Ilhéus contratou mais 20 médicos e convocou 14 profissionais concursados para melhorar o atendimento à população. Vai, também, reformar com recursos próprios- 1,1 milhão de reais- 10 postos de saúde na cidade. A expectativa é atingir a meta de 60% da atenção básica ainda em 2018.

Ilhéus ganhará uma UPA – Unidade de Pronto Atendimento, no bairro do Malhado, totalmente construída pelo Estado e custeada 50% pelo mesmo, e um Hospital Materno/Infantil com UTI’s Neo Natal e infantil, após a reforma total do Hospital Regional, onde serão investidos 9 milhões de reais.

Enquanto a UPA não fica pronta, a Policlínica Halil Medauar, na Conquista, atenderá como pronto atendimento médico, a emergências, 24 horas. Com isso, Ilhéus passará a contar com 4 PA’s 24 horas: Zona Sul, Hospital São José, COCI e a Policlínica. O Estado da Bahia ainda cederá 200 servidores para reforçar a atenção básica do município.

Tudo isso tornou-se possível graças ao distensionamento das relações políticas e pessoais entre os gestores das diferentes esferas governamentais. Com diálogo, mesmo com divergências de pontos de vista, os resultados aparecem e a população será beneficiada. Isto quer dizer que na atual gestão municipal o interesse público foi colocado acima das questões de preferências pessoais, políticas, gostos e simpatias ou antipatias. Acontece que, quando questiúnculas são colocadas acima das dores da população, o bem comum sai da mesa de entendimentos e o diálogo fica truncado, e as “tabelinhas” por vias não recomendáveis, também se revelam incapazes de produzir efeitos positivos.

Hoje, o secretário de saúde do estado, Fábio Vilas Boas, se sente à vontade para debater sobre a problemática de Ilhéus com o também médico Mário Alexandre. Mas se isso está acontecendo, todos reconhecem que o perfil de Marão, contribui muito para essa fluência. O próprio governador já demonstra que a relação entre os governantes se estreitou e ultrapassou o limite apenas institucional.

As discordâncias existem. Mas a lealdade e postura do prefeito de Ilhéus, que tem sido duramente atacado nesse momento de transição na saúde, mas que em nenhum momento expôs o governador e o secretário Vilas Boas ou mesmo o governo do estado, bancando o ônus do desgaste com as mudanças, arrancam elogios da esfera estadual, pela serenidade e foco nas soluções dos problemas, jamais alimentando choques frontais e embates, caminho que outras lideranças preferiram.

Assim, o perfil de Marão, expansivo, bem humorado, trabalhador e avesso a polêmicas desnecessárias, ao contrário dos que o criticam acidamente, vai dando sua inestimável contribuição para as conquistas como há muito não se via na área de saúde em nossa cidade. O bonachão, festivo, riso fácil, vai comprovando a eficácia de sempre colocar o aspecto positivo na condução da gestão. Então, é aí que os efusivos abraços que distribui ao encontrar as pessoas, se revela consistente e fundamental para inaugurar outra forma de se relacionar com os poderes, sem a mesma pretensão e a presunção que sempre nortearam as mesmas relações, anteriormente, colocando as vaidades dos figurões acima do sofrimento e anseios da sociedade.
O

tema “tempo de alegria e trabalho” traz em si o espírito que norteia a atual gestão municipal e sintetiza com propriedade o conteúdo para o entendimento, exatamente como já tinha ocorrido com os servidores municipais, cujo diálogo com o município também se encontrava deteriorado, inexistente. Assim demontra-se que o azedume e os choques frontais com diversos setores, aí podendo ser incluído o comércio,
longe de serem esporádicos, era uma prática de governo.

Na mesa onde o atual governo municipal senta com a comunidade e lideranças não tem havido espaço para vaidades. Estas ficaram isoladas no início de 2017, quando iniciou o governo Mário Alexandre.

AZUL – SEU ÚLTIMO VOO

Por José Rezende Mendonça

A Azul Linhas Aéreas, voou pela última vez, de Ilhéus para Salvador, às 5:00 horas, nesta segunda-feira, dia 19 de fevereiro.

A decisão da empresa, ignorou os pedidos do próprio governador da Bahia, Rui Costa, do deputado federal Bebeto Galvão, e do prefeito de Ilhéus.

No nosso caso, em particular, tínhamos um voo, de Salvador para Ilhéus no dia 26 de fevereiro, às 23:00 horas. Sem nenhum aviso, por e-mail ou telefone, a empresa, a sua maneira, me remanejou, para o mesmo dia, num voo das 13:30 horas. Como obedecer este horário, se tenho uma consulta médica marcada, para o dia 26, às 11:30 horas, desde o dia 09 de novembro de 2017, ter adquirido, esta passagem, para o dia 26, às 23:00 horas.

Procurei a empresa, e a única solução por eles, foi que eu retornasse de Salvador, um dia após, ou seja, dia 27, às 13:30 horas. Como não vi outra alternativa, estou sendo obrigado a ficar na capital baiana, sob minhas despensas, até esta data.

Já minha ida, por questões pessoais, de Ilhéus para Salvador, antes previsto para o dia, 24 de fevereiro, antecipei para o dia, 22. Voo confirmado de número: 9006 (XE2CJW), no horário das 16:00 horas, mas pelo que li na imprensa, este voo também deixa de existir. Terei que de novo, procurar a AZUL, para que esta empresa, diga finalmente, qual será meu horário, neste dia.

Não sei, qual foi a alegação da AZUL, para acabar com este voo, das 5:00 e 23:00 horas. Já que ANAC, depois de registrar queda, em 2016, em 2017, cresceu nos voos domésticos em 2,2%, e ainda teve um aumento de 3,2%, na demanda de passageiros.

UM POUCO DA HISTÓRIA DESTE AEROPORTO, QUE UM DIA FORA UM CAMPO DE AVIAÇÃO

Teco-Teco – Aeroclube do Pontal Desde os tempos de criança, pois aqui nasci e moro desde 1951.

A Pista de Pouso do Pontal, foi inaugurado, em 19 de maio de 1938 e reformado várias vezes, sendo em 1958 a mais ampla, com pista asfaltada. Nestes 80 anos, o nosso aeroporto, nunca registrou qualquer acidente aéreo, e sempre foi considerado, de muita segurança por estar localizado ao nível do mar, onde a altitude, temperatura, velocidade e direção dos ventos, facilitam a decolagem e pouso, além do mesmo, ser dotado de equipamentos de navegação, atendendo todas as segurança, estabelecidas pela Organização de Aviação Civil Internacional (OACI).

Registre-se também, que o mesmo serviu de apoio para aeronaves durante a II Guerra Mundial (1942-1945).

Avião antigo

Lembro-me, que nos anos 50 e 60, pousavam aqui diversas aeronaves (Loyde, Real, Nacional, Aerovias Brasil, LAP, TAS, VAB, NAB, etc.) sem maiores problemas, chegando a congestionar o pátio de embarque, e tudo isso, sem a tecnologia que se tem hoje.

No tempo, em que aqui pousavam, as companhias VARIG, VASP, CRUZEIRO DO SUL e SADIA, nos leva a crê, que as aeronaves eram sempre bem revisadas, e seus pilotos bem treinados e capacitados, pois decolavam e pousavam na pista do Pontal, mesmo com fortes chuvas, durante o dia ou à noite. Hoje as atuais companhias e os pilotos, querem atribuir suas deficiências, simplesmente a pista, que virou moda sendo a culpada de tudo.

Por outro lado, o Aeroporto Santos Dumont, com apenas 1323 metros de pista, menor que o de Ilhéus (1577 metros, na época), foi usado para voos internacionais, trazendo os atletas para o PAN do Rio de Janeiro. As cabeceiras da pista do Santos Dumont são bem parecidas com as de Ilhéus, onde terminam no mar ou no rio, dando maior segurança em casos de acidentes, ao contrário de Congonhas, onde suas cabeceiras são rodeadas por edificações, aonde os aviões chegam a voar, apenas há dois metros do topo dessas edificações.

Acervo Zé Rezende

No aeroporto de Ilhéus, tanto na decolagem como na aterrissagem, as aeronaves chegam atingir 30 metros de altura, acima do solo nos pontos considerados de riscos.

Nos anos 80, aqui pousou uma aeronave argentina Boeing – 737-700, que se dirigia para Fortaleza, e teve que fazer um pouso forçado, por problemas técnicos e foi bem sucedido, e mais recentemente no dia 27 de julho de 2013, um FOKER-MK 28, com uma turbina inoperante, teve que fazer também, um pouso emergencial à noite e toda operação foi um sucesso.

Nos anos 90, houve uma nova campanha, para descaracterizar o aeroporto de Ilhéus, pois, era preciso colocar em evidência, o aeroporto da Ilha de Comandatuba – Hotel Transamérica. Ameaçaram e levaram, alguns voos daqui e foi inaugurado, com toda pompa na época, por autoridades baianas, e Ilhéus se viu mais uma vez sem “pai e sem mãe”.

Bom, por uma reportagem da TV da Globo, condenou este aeroporto, que nos dias de poucas chuvas, as empresas aéreas não querem, correr os riscos de pouso, em razão da ANAC, fugir da suas responsabilidades e jogar para as empresas, toda decisão.

Em 19 de maio de 1938, quando foi inaugurado, recebeu o nome de Campo de Pouso do Pontal. Com a implantação de outras facilidades, passou a se chamar Aeroporto do Pontal, Aeroporto Brigadeiro Eduardo Gomes, Aeroporto de Ilhéus e por fim, Aeroporto Jorge Amado. A história do Aeroporto do Pontal é tão antiga quanto o da própria Aviação Comercial Brasileira. Quem viveu por aqui há de se lembrar, de que desde o final dos anos 40, prolongando-se até meados dos anos 60, nada menos, que nove companhias aéreas, já mantinham linhas na rota de Ilhéus para qualquer local do Brasil, claro, com suas conexões, como se procede até hoje. Quem é do meu tempo vai lembrar, do LOYDE AÉREO, REAL TRANSPORTE AÉREO, NACIONAL, AEROVIAS BRASIL, LAP-Linhas Aéreas Paulista, TAS – Transportes Aéreos Salvador, VAB – Viação Aérea Baiana, NAB – Navegação Aérea Brasileira e CRUZEIRO DO SUL, todos os aviões de passageiros tipo Douglas-DC-3 e C-47, bimotores/hélices, com capacidade para três tripulantes e em média 38 passageiros.

Avião de carga.

Este avião de carga tem uma história especial, foi ele quem trouxe a primeira remessa, de um lote de 52 cabeças de gado, vindo do Texas, para senhor Coriolano de Oliveira (Cori), pecuarista de Itapetinga, que importou para sua propriedade, a raça Santa Gertrudes.

Já a partir da década de 60, começaram as novas companhias como: a VARIG, VASP, SADIA, TRANSBRASIL, NORDESTE e RIO SUL, com suas aeronaves mais modernas, tipo Dart Herald, Caravelle, Boing, Avro e Samurai.

O Aeroporto do Pontal, era apoiado pelo Destacamento de Proteção ao Voo (DPV), subordinado ao Ministério da Aeronáutica. O DPV de Ilhéus foi criado em 1941, com a missão de dar segurança, aos voos no aeroporto local e nas rotas aéreas ou aerovias, bem como, fiscalização de aeronaves e tripulantes.

Desembarque Presidente Castelo Branco, 1966

Mesmo com a implantação da INFRAERO e TASA em 1981, o Destacamento de Proteção ao Voo de Ilhéus somente foi desativado em 1987. Em 2007 foi desativado o DAC, passando suas atribuições, para a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), que também foi desativada em 2008, deixando, desta forma, o nosso aeroporto, sem qualquer órgão de fiscalização das aeronaves e tripulantes e outros assuntos como atraso de voos, reclamações de passageiros, etc.

Já havia naquela época, uma preocupação com a tripulação e passageiros, no caso de pernoite na cidade, e por esta razão, em 1957, foi construído o AEROPORTO HOTEL, de propriedade do senhor João Barreto, pois em determinadas horas da noite, ficaria difícil transportar os tripulantes e passageiros para o centro da cidade, em virtude da travessia, através de lanchas. Vale lembrar, que este prédio de dois andares existe até hoje, e foi transformado no Ginásio Municipal do Pontal em 1966, pelo então prefeito Herval Soledade, e atualmente renomeado para Escola Municipal do Pontal.

Praticamente nestes 80 anos, de existência foram registrados pequenos acidentes e só três merecem tecer alguns comentários.

  1. Na década de 50 a aeronave que tinha, coincidentemente, o nome de “São Jorge dos Ilhéos”, pertencente à Navegação Aérea Baiana – NAB, que segundo comentários da época, já vinha passando por dificuldades financeiras e administrativas, caiu no manguezal do Rio Santana, praticamente na cabeceira da pista, mas sem registro de vítimas, apenas raros casos de escoriações.
  2. Também na década de 50 um avião da FAB, que apresentou uma pane quando se dirigia a Caravelas, teve que retornar a Ilhéus, e nas mediações do atual bairro do Teotônio Vilela, no lugar conhecido como morro do Cupipe, colidiu e explodiu matando os três tripulantes.
  3. Já em 1973, a comissária da SADIA, Ilze Ribeiro do Val, sofreu um acidente fatal, no momento de pura infelicidade, ao se aproximar da hélice, que ainda girava lentamente, vindo a falecer no próprio pátio de estacionamento das aeronaves.

Não poderia falar do aeroporto, sem que não fizesse um breve registro, do Aeroclube de Ilhéus, com seus Aéro Boero (Teco-Teco), que foi fundado em 1942 e formou sua 1ª turma em 28 de junho de 1943 (Dia da Cidade).  

Dentre os formandos destacamos os senhores: Abel Pereira, Ruy Dórea, João Kruschewsky, Almir Freitas e José Ângelo Lima que se tornou piloto internacional da VARIG.

Também vale registrar os “homens da mala” – os Carregadores: UM (Alexandre Parente dos Santos), DOIS (José Bezerra de Jesus), TRÊS (Evangelista R. dos Santos) e QUATRO (Paulo O. da Silva).  Todos já descansam, na paz divina.

Pelo Decreto Lei nº. 10.412, de 12 de março de 2002, no governo do prefeito Jabes Ribeiro, o aeroporto recebeu oficialmente e com todo merecimento, o nome de Jorge Amado.  Atualmente, conta apenas com cinco companhias em operação, a LATAM, GOL, AVIANCA e AZUL, pois a BRA e WEB JET estiveram por aqui, por alguns meses e foram-se.  Mas, em Ilhéus sempre foi assim, inclusive nos últimos meses teve até ameaças de suspensão dos voos, ficando até o momento com certas restrições para pousos e decolagens por instrumentos, causando sérios prejuízos à região e ainda há promessas políticas, para um novo aeroporto, nas mediações do CEPEC, no Km 22 da Rodovia Ilhéus/Itabuna, ou em Juerana. Bom, aí será um novo capítulo do AEROPORTO, que um dia foi, Campo de Aviação do Pontal.

O que vimos durante todo este tempo, foram relatórios e mais relatórios, por parte da ANAC, que chegou ao primeiro momento, sugerir as cancelas eletrônicas, semáforos e guarita. De imediato, a Prefeitura de Ilhéus, tomou todas as providências, inclusive, fazendo testes destes equipamentos, parando o trânsito nas decolagens e aterrissagens das aeronaves.

Até técnicos do Cindacta 3, do Instituto de Cartografia da Aeronáutica, estiveram em Ilhéus por três dias, onde realizaram vistorias em terra, e sobrevoos pela área do aeroporto, enfim foi estudo pra mínguem “botar defeito”.

Passado o tempo, demoliram a guarita externa, as cancelas e os semáforos, na época exigida pela ANAC.

 

Texto: do Livro “Pontal Entre o Passado e o Presente” – Memórias

Autoria: José Rezende Mendonça

Téc. Agrícola – Aposentado da Ceplac

PONTAL – O ZÉ PERREIRA, SEM O ZÉ E SEM O PEREIRA

Para deixar bem claro, não somos contra o Zé Pereira atual, mas que, seja com responsabilidade, com respeito às leis, pois quem está se tornando vítima, é a Praça São João Batista. Que foi requalificada, numa parceria, pública/privada, em 2015 e voltou aos tempos de outrora.

Nossos carnavais de bairros, a hora é esta, para serem resgatados. Estes sim, sempre fizeram a diferença de um povo o acolhedor.

Os nossos carnavais, da década de 50 e 60 eram independentes. Os Blocos, Cordões e Afoxés tinham por obrigação desfilarem aqui no domingo e na terça-feira, ficando só a segunda de carnaval para uma apresentação em Ilhéus (centro).

Dentre os Blocos e Cordões, “Os Bambas do Salgueiro” de Dona América, era o que mais chamava a atenção, pela riqueza das fantasias e a organização, mas a criançada ficava mesmo na expectativa, da vez do desfile, pelas ruas do bairro do afoxé de Cabo Jonas, que popularmente chamávamos de “Os Pauzinhos”, em razão do bailado, que era ritmado com pedaços de paus, uma verdadeira acrobacia.

Por tradição, no sábado a partir da meia-noite, o “Zé Pereira” percorria as ruas do Pontal, para anunciar que, o carnaval estava começando, e a população abria suas portas, para acompanhar o Bloco, pelo menos por uma quadra. Outros blocos que, aqui desfilavam: “Quebra-Quebra Guabiraba”, “Maria Vai Com As Outras”, DIVA etc.

Aqui também desfilavam, os homens da cabeça grande (tipo os bonecos de Recife), os Mandus, que era uma pessoa com uma peneira gigante na cabeça, coberta com um lençol branco, que descia até a cintura, dando um feche final, com um pau atravessado, como se fosse às mãos do fantasiado. Era o terror da criançada.

No final da década de 40, a juventude do Pontal, desfrutava de um espaço para suas festas dançantes e apresentações dos cantores e artistas da época, numa casa residencial localizada, no mesmo local que mais tarde viria a ser a sede do clube, e era uma opção dos bailes a fantasias, que começava com seu “grito de carnaval”, no sábado que perdurava, até a terça-feira gorda de carnaval (termos da época).

O Clube do Pontal passa a figurar como um dos melhores de Ilhéus. O clube toma outra dimensão, chegando a trazer diversas apresentações de artistas, que estavam no auge nos anos 60. E dentre eles: Raulzito (Raúl Seixas) e suas Panteras, Jerry Adriane, Wanderlei Cardoso, Paulo Sérgio, Renato e seus Blue Caps, Altemar Dutra, conjunto Alegria Espanhola, Virginia Lane e suas Vedetes, etc.

Hoje o clube está entregue as traças, dependendo de mais uma vez de um líder para soerguê-lo, pois inclusive os 16 (dezesseis) e únicos sócios remidos/proprietários, já assinaram um documento, colocando o espaço a disposição do serviço público municipal. Que na campanha, assumiram o compromisso de tornar aquele espaço, útil para o bairro. Mas, até agora ficou no papel.

Tínhamos também, nosso folclore como: O Bumba-meu-boi, O Boi-Estrela, comandado por Beleléu, e outro pelo senhor Hermes, a Bandinha de Reis com suas flautas (conhecida como “Os Zabumbas”). Estes eventos ocorriam no dia 6 de Janeiro – Dia de Reis, e o Terno das Flores, que desfilava no mês de setembro, juntamente com a Rainha da Primavera.

Foi preciso, para que nossa praça fosse revitalizada, contar com a experiência diplomática, do nosso amigo e colega de ginásio, José Henrique Abobreira, e eu, através do Pontal Criativo. Por um bom tempo, o ZÉ PERREIRA, andou meio esquecido, mas, graças a família Carnebó, o Jorginho Bar, seu Clério e outros, o Zé Pereira, dá a volta por cima, e ressurge das cinzas.

Acontece que, a cada ano, vem perdendo sua originalidade, devido a corrida econômica.

Para deixar bem claro, não somos contra o Zé Pereira atual, mas que, seja com responsabilidade, com respeito às leis, pois quem está se tornando vítima, é a Praça São João Batista. Que foi requalificada, numa parceria, pública/privada, em 2015 e voltou aos tempos de outrora.

Hoje já precisando, de uma conservação/recuperação, com custo quase zero, para a prefeitura, mas o atual prefeito, diz não ter verbas. O que se viu ontem, foi uma praça invadida, com vendas de bebidas alcoólicas, quando é proibido por LEI, a comercialização destes produtos, em todos espaços públicos requalificados.

Fica a pergunta: estas barracas foram autorizadas, e por quem? Quem assim o fez, talvez não saiba desta lei. Se não foram, fica realmente, a nossa única praça, ao bel prazer de quem quer que seja, tornando-se uma bagunça generalizada.

As fotos por si só, dirão a realidade.

José Rezende Mendonça.

Pontalense com orgulho.

A INTEGRAÇÃO DO SUL DA BAHIA PASSA PELA UNIDADE DE IDEIAS E PROJETOS

Por Alcides Kruschewsky Neto, ex-vereador e atual secretário de Comunicação Social de Ilhéus

A rivalidade entre Ilhéus e Itabuna já teve o seu apogeu e agora vive o seu declínio.

Há algo novo no cenário sul baiano. A recente eleição do prefeito de Ilhéus, Mário Alexandre, inaugurou um novo tempo nas relações entre prefeitos e governos das duas principais cidades da região. Fernando Gomes, mais uma vez prefeito de Itabuna, demonstra-se muito à vontade nos entendimentos que mantém com o prefeito de Ilhéus em torno de uma agenda comum para o Sul da Bahia.

A proximidade desses gestores simboliza uma unidade que tem tudo para sepultar a rivalidade infrutífera, num contexto que exige, cada vez mais, soluções que atendam ao conjunto dos municípios que integram a nossa região.

É com o olhar voltado para essa integração que os prefeitos de Ilhéus e Itabuna discutem a perspectiva da região metropolitana do Sul da Bahia. O pólo Itabuna-Ilhéus centralizará um projeto que atenda ao eixo regional, enquanto outras incumbências podem ser distribuídas entre os demais municípios, que também devem se consorciar em busca de soluções comuns. “Os projetos aqui implantados devem irradiar benefícios para os demais municípios da região”, afirma Mário Alexandre, prefeito de Ilhéus, quando se refere ao Hospital da Costa do Cacau e à obra de duplicação da BR 415.

Neste 9 de outubro, em Itabuna, a população e lideranças regionais compareceram ao ato de assinatura do contrato para a execução da duplicação da rodovia BR 415 – Nova Rodovia Jorge Amado, mais uma obra de infraestrutura que concorrerá para a aproximação entre essas importantes cidades, uma em direção à outra. Transitar na Rodovia Jorge Amado nos permite testemunhar que o abraço das cidades é uma inevitável vocação, como se a confirmar que quem “nasce” junto permanece enlaçado, e que há muito mais razões para nos unirmos do que as irrelevâncias que nos separam.

Nos últimos 10 anos, essa tendência se acelerou com a implantação de investimentos expressivos à margem da referida rodovia, que o próprio governador Rui Costa reconhece não mais como estrada, mas como uma Avenida, a “artéria aorta” que nos liga. Desde a chegada do Makro, Atacadão e Cidadelle, outros empreendimentos públicos e privados também se somaram na importante via onde estão instalados o IFBA, a Uesc e a pioneira Ceplac. O novo Sesc/Senai e o Hospital da Costa do Cacau apontam no mesmo sentido e uma percepção de crescimento mais ordenado começa a se evidenciar a partir dos conjuntos habitacionais Minha Casa, Minha Vida, em Ilhéus, com milhares de unidades já construídas ou prestes a serem entregues. São muitos milhões de reais que aos poucos vão transformando o cenário da via mais importante da região cacaueira.

Com boa vontade e um olhar bem abrangente, veremos a nova Universidade Federal do Sul da Bahia também inserida no processo de integração. Assim, a Rodovia Jorge Amado começa a ganhar alguns subtítulos, como a “Estrada do Conhecimento”, referência que já vem sendo utilizada com frequência cada vez maior. A urbanização do trecho do Banco da Vitória com o Projeto Vila Gastronômica está entrando em fase de licitação pela Secretaria do Turismo do Estado. O projeto representa um avanço, pois qualifica o ainda precário urbanismo das margens dessa via.

Os prefeitos Mário Alexandre e Fernando Gomes comemoram os investimentos e vibram com as conquistas das cidades irmãs. Ora é Mário que destaca a importância da construção da barragem do Rio Colônia que abastecerá Itabuna e outras cidades; ora é Fernando que se refere ao espetacular Hospital da Costa do Cacau como um grande marco para toda a região.

Por detrás dessa boa relação estão questões de suma importância para a região: do aeroporto à Ferrovia Oeste-Leste – FIOL – e Porto Sul; uma solução mais duradoura para a questão do lixo, através de um consórcio intermunicipal para processamento dos resíduos sólidos; um consórcio regional de saúde, seguindo a batuta do governo estadual, e o enfrentamento das questões ambientais com foco na recuperação das bacias hidrográficas regionais, como as do Rio Cachoeira e a do Rio Almada, além de um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente, sem o que o próprio projeto de integração de uma região metropolitana ficaria comprometido.

Logo, a duplicação da rodovia representa a ampliação dos motivos que sempre uniram as duas cidades e cujos benefícios irradiarão por toda a região. O processo de conurbação entre Ilhéus e Itabuna é claro e irreversível. As cidades se complementam com suas indissociáveis vocações: uma mais voltada para o comércio e a outra para o turismo e a indústria.

Nesse cenário, portanto, a fluente relação entre os atuais governantes das duas cidades líderes referenda a necessidade de deixar a rivalidade no passado, para que os assuntos que realmente importam à sociedade regional se tornem prioridade. Mais do que um símbolo, os efusivos abraços trocados entre os dois prefeitos vão além da alegria e da cordialidade que marcam seus encontros e efetivam uma prática cooperativa que deve prevalecer entre os municípios do Sul da Bahia.

A rivalidade entre Ilhéus e Itabuna já teve o seu apogeu e agora vive o seu declínio.

DE CHOCOLATE E LITERATURA. ILHÉUS UM POLO TURÍSTICO?

Por Tica Simões

Ainda com o gosto do chocolate do Festival Internacional do Chocolate e Cacau (20 a 23/07), lembro o próximo 10 de agosto – aniversário de nascimento do nosso escritor maior, Jorge Amado. Naturalmente o festival, já na sua 9ª edição exitosa, tem trazido a Ilhéus inúmeras pessoas interessadas no chocolate e, outras, em realizar negócios relativos ao produto. Mas é verdade, também, que Ilhéus atrai visitantes por sua história, por sua literatura. Como sabemos, o cacau é presença temática no imaginário ficcional sulbaiano.

Cozinha Show com o chef Lucas Corazza_foto Divulgação

Não é novidade dizer que foi Jorge Amado quem iniciou o ciclo do Cacau da Literatura Brasileira nos anos 30, do século XX.Foi o tempo de uma região monocultora, de identidade sócioeconômica e cultural  de referência nacional e internacional. Ilhéus, município centro da lavoura cacaueira, também foi gerador de dramas. A Literatura conta a ambiência, a formação da nação grapiúna: do seu povo, da sua cultura, das suas origens. Anos 70, período áureo da Região do Cacau, foi tempo de muita riqueza na terra dos frutos de ouro.  A partir de 1989, o surgimento da praga da vassoura-de-bruxa (somada às anteriores, como a podridão parda) mudou o cenário de riqueza.

Nesse percurso, do apogeu à crise, o cacau e seus dramas foram tematizados na saga da nação grapiuna. O leitor  acompanha todo esse processo através dos textos literários, onde o contador de histórias relata a origem e o crescimento da civilização do cacau, o desenvolvimento de Ilhéus, o nascimento de Tabocas, depois Itabuna; denuncia as injustiças sociais, traça o perfil do coronel a sua prepotência; relata a servidão dos trabalhadores rurais; foca ademonstração da força política, do poder do mais forte,  descreve a identidade do grapiúna.

Vista aérea

Socialmente, com a crise da lavoura,a região passa a enxergar o quê, antes, o brilho do cacau não deixava ver: a sua singularidade – estar situada no coração da Mata Atlântica remanescente, na biosfera do descobrimento do Brasil e num dos litorais mais belos do país.Então, a região  empobrecida busca formas de sobrevivência, busca alternativas.  O turismo é uma delas.

Hoje, linkando literatura e turismo,  o tema cacau é potencializado como atração turístico-cultural. A ficção,  lida nos quatro cantos do mundo (principalmente a obra de Jorge Amado), fez leitores tornarem-se turistas à procura de re-conhecer o local imaginado.  Assim, a  literatura funciona como agenciadora do trânsito: de leitora turista (da ficção); de turista a leitor (da cidade); e o cacau é o mote.Nesse entendimento, o turismo, enquanto processo de viagem, cresce como atividade cultural e de impacto na economia e desenvolvimento das localidades.A literatura,veiculadora da cultura, é aqui olhada como fenômeno instigador do turismo.Dessa forma, operar o turismo através dela, implica uma compreensão do funcionamento do mercado cultural no contexto globalizado. É maneira de valorização do discurso literário e do bem simbólico local, consubstancializado para o turista através do patrimônio local.

Nessa perspectiva,a conciliação do estético com o turismofaz ressaltar a importância da cidade como cenário ficcional. Ao interpretar o ficcionalizado, o leitor tem a sua curiosidade aguçada para conhecer um mundo não familiar. Movido pela vontade de ver a paisagem que inspirou o texto literário, “passeia” pela cidade que a ficção oferece. Assim nasce o leitor-turista. Porém, não satisfeitosomente com a mobilidade ficcional, ele quer “ler” /ver, ao vivo e a cores, os locais reais tomados pela ficção. De leitor a turista é um passo: aquele que a mobilidade e o trânsito permitem. Torna-se turista-leitor, viajando para re-conhecer e observar as re-significações daquelas cidades, antes “visitadas” através da leitura. Ilhéus, berço da história do Cacau da Bahia, centro da sua produção e do seu consumo, é exemplo disso.Devido ao alcance da recepção da sua obra, Jorge Amado conquista turistas de múltiplas nacionalidades que, estando em locais os mais diversos, visitam a cidade apresentada nas páginas dos vários livros da saga cacaueira.  Isso porque, passando de leitor a turista, o tornado turista-leitor desloca-se em busca de reconhecer a região das páginas literárias. Mais recentemente, alguns vêm, anualmente, também visitar e degustar  no Festival Internacional de Chocolate e Cacau; neste ano, o festival foi acrescentado  de exposição sobre as memórias do cacau, em homenagem ao incentivador do chocolate, o cidadão Barão de Popoff.

Assim, tem chegado a Ilhéus um turista-leitor ávido por provar o fruto do cacau eo chocolate. Porre-conhecer a Gabriela, o Vesúvio, o Bataclan… Sentar na praça da catedral, ou andar nas ruas estreitas da cidade por onde passavam Malvina e Gerusa. Ansioso por “ler” a cidade como texto cultural.  Mas a decadência da lavoura atingiu a cidade. Os palacetes dos coronéis estão desabitados ou transformados. Enquanto o turista busca o reconhecimento, a presença do imaginário do cacau da obra literária se faz, para o ilheense, reconfigurada em exploração turística. Sentindo-se um tanto dono da “marca”, ele busca explorar o quê o imaginário do cacau produziu. Faz a sua cidade re-ler a literatura através de apelos semióticos. Agora, o turista-leitor encontra um Bataclan restaurado fisicamente e ressignificado; um Vesúvio transformado em restaurante; a casa de Jorge Amado, em museu da sua vida e obra; um Centro de vendas de artesanato, tendo o cacau e suas variações como elemento temático a ser oferecido ao consumo do turista… O signo Gabriela está por toda a parte; atrai pela beleza, sensualidade, cheiro (de cravo e canela), instituindo o “tipo” Grabriela, vinculada ao tempo áureo do cacau, estabelecendo “pontes” entre o imaginado e o real. Dessa forma, passa a acontecer a relação entre os ilheenses e os turistas, na maneira de receber, de comer, de viver; tal relação,sem dúvida, contribui para a cidadania cultural locale para o desenvolvimento regional.

Por essas reflexões, retomo a questão inicial entendendo que a literatura, especialmente a amadiana, contribui para atrair turistas para região e para Ilhéus, município capital do cacau.Pólo turístico- por suariqueza histórica, excepcional  beleza natural e, mais, pelo chocolate e pelaliteratura -,  Ilhéus é merecedora de uma administração pública que valorize e impulsione o seu potencial.

Tica Simões / Maria de Lourdes Netto Simões. Pós-doutora em Literatura Comparada e Turismo Cultural. Ensaista. Consultora para assuntos literários e culturais. Professora/pesquisadora, aposentada da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC. Agenda 34.

DESMONTAR O CENTRO ODONTOLÓGICO NAPOLEÃO MARQUES É NO MÍNIMO FALTA DE SENSIBILIDADE COM A HISTÓRIA DE ILHÉUS

Por Francisco Seixas (Chicó)

Napoleão à esquerda.

Eu poderia falar aqui sobre a importância política e social de Napoleão Marques para história de Ilhéus. Grande figura humana e sempre atento às causas sociais, se destacou na política por defender a causa dos menos favorecidos.

No âmbito político, aqui no Sul da Bahia, exerceu um papel importante no movimento de redemocratização do Brasil. Presidiu o PMDB e o PSB ilheense, nesse último partido, ajudou a reorganizar sua estrutura e ficou filiado até a data de seu falecimento, em 11 de maio de 2001.

Porém, o que coloco aqui, para amplo conhecimento de todos é que, o Dr. Napoleão Marques, na década de 60, formou-se em odontologia na Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e especializou-se em Ortodontia e Ortopedia Facial na Pontifícia Universidade Católica  (PUC) do Rio de Janeiro.

O jovem Napoleão,  naquela época, recém especializado em Ortodontia, recebeu diversos convites para exercer seu ofício em vários lugares do país, e até do exterior. Nascido em Una, o ortodontista, preferiu voltar a Ilhéus, sua terra por adoção e servir o município e região – foi o primeiro ortodontista da cidade de Ilhéus. 

Sempre no intuito de oferecer a melhor qualidade de seus serviços, aperfeiçoou seus conhecimentos profissionais, em centros avançados da Ortodontia no Brasil e até nos Estados Unidos da América. Filiado à Sociedade Paulista de Ortodontia,  em 1992, recebeu da entidade, uma medalha de honra ao mérito pelo serviços prestados em sua especialidade. Naquela ocasião,  foram agraciados com esse prêmio, 30 ortodontistas de todo o Brasil. E o Dr. Napoleão Marques estava lá, elevando o nome de Ilhéus, por meio de seus serviços ortodônticos prestados à comunidade regional.

 

Chicó é Comunicólogo e filho de Napoleão



WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia