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A INTEGRAÇÃO DO SUL DA BAHIA PASSA PELA UNIDADE DE IDEIAS E PROJETOS

Por Alcides Kruschewsky Neto, ex-vereador e atual secretário de Comunicação Social de Ilhéus

A rivalidade entre Ilhéus e Itabuna já teve o seu apogeu e agora vive o seu declínio.

Há algo novo no cenário sul baiano. A recente eleição do prefeito de Ilhéus, Mário Alexandre, inaugurou um novo tempo nas relações entre prefeitos e governos das duas principais cidades da região. Fernando Gomes, mais uma vez prefeito de Itabuna, demonstra-se muito à vontade nos entendimentos que mantém com o prefeito de Ilhéus em torno de uma agenda comum para o Sul da Bahia.

A proximidade desses gestores simboliza uma unidade que tem tudo para sepultar a rivalidade infrutífera, num contexto que exige, cada vez mais, soluções que atendam ao conjunto dos municípios que integram a nossa região.

É com o olhar voltado para essa integração que os prefeitos de Ilhéus e Itabuna discutem a perspectiva da região metropolitana do Sul da Bahia. O pólo Itabuna-Ilhéus centralizará um projeto que atenda ao eixo regional, enquanto outras incumbências podem ser distribuídas entre os demais municípios, que também devem se consorciar em busca de soluções comuns. “Os projetos aqui implantados devem irradiar benefícios para os demais municípios da região”, afirma Mário Alexandre, prefeito de Ilhéus, quando se refere ao Hospital da Costa do Cacau e à obra de duplicação da BR 415.

Neste 9 de outubro, em Itabuna, a população e lideranças regionais compareceram ao ato de assinatura do contrato para a execução da duplicação da rodovia BR 415 – Nova Rodovia Jorge Amado, mais uma obra de infraestrutura que concorrerá para a aproximação entre essas importantes cidades, uma em direção à outra. Transitar na Rodovia Jorge Amado nos permite testemunhar que o abraço das cidades é uma inevitável vocação, como se a confirmar que quem “nasce” junto permanece enlaçado, e que há muito mais razões para nos unirmos do que as irrelevâncias que nos separam.

Nos últimos 10 anos, essa tendência se acelerou com a implantação de investimentos expressivos à margem da referida rodovia, que o próprio governador Rui Costa reconhece não mais como estrada, mas como uma Avenida, a “artéria aorta” que nos liga. Desde a chegada do Makro, Atacadão e Cidadelle, outros empreendimentos públicos e privados também se somaram na importante via onde estão instalados o IFBA, a Uesc e a pioneira Ceplac. O novo Sesc/Senai e o Hospital da Costa do Cacau apontam no mesmo sentido e uma percepção de crescimento mais ordenado começa a se evidenciar a partir dos conjuntos habitacionais Minha Casa, Minha Vida, em Ilhéus, com milhares de unidades já construídas ou prestes a serem entregues. São muitos milhões de reais que aos poucos vão transformando o cenário da via mais importante da região cacaueira.

Com boa vontade e um olhar bem abrangente, veremos a nova Universidade Federal do Sul da Bahia também inserida no processo de integração. Assim, a Rodovia Jorge Amado começa a ganhar alguns subtítulos, como a “Estrada do Conhecimento”, referência que já vem sendo utilizada com frequência cada vez maior. A urbanização do trecho do Banco da Vitória com o Projeto Vila Gastronômica está entrando em fase de licitação pela Secretaria do Turismo do Estado. O projeto representa um avanço, pois qualifica o ainda precário urbanismo das margens dessa via.

Os prefeitos Mário Alexandre e Fernando Gomes comemoram os investimentos e vibram com as conquistas das cidades irmãs. Ora é Mário que destaca a importância da construção da barragem do Rio Colônia que abastecerá Itabuna e outras cidades; ora é Fernando que se refere ao espetacular Hospital da Costa do Cacau como um grande marco para toda a região.

Por detrás dessa boa relação estão questões de suma importância para a região: do aeroporto à Ferrovia Oeste-Leste – FIOL – e Porto Sul; uma solução mais duradoura para a questão do lixo, através de um consórcio intermunicipal para processamento dos resíduos sólidos; um consórcio regional de saúde, seguindo a batuta do governo estadual, e o enfrentamento das questões ambientais com foco na recuperação das bacias hidrográficas regionais, como as do Rio Cachoeira e a do Rio Almada, além de um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente, sem o que o próprio projeto de integração de uma região metropolitana ficaria comprometido.

Logo, a duplicação da rodovia representa a ampliação dos motivos que sempre uniram as duas cidades e cujos benefícios irradiarão por toda a região. O processo de conurbação entre Ilhéus e Itabuna é claro e irreversível. As cidades se complementam com suas indissociáveis vocações: uma mais voltada para o comércio e a outra para o turismo e a indústria.

Nesse cenário, portanto, a fluente relação entre os atuais governantes das duas cidades líderes referenda a necessidade de deixar a rivalidade no passado, para que os assuntos que realmente importam à sociedade regional se tornem prioridade. Mais do que um símbolo, os efusivos abraços trocados entre os dois prefeitos vão além da alegria e da cordialidade que marcam seus encontros e efetivam uma prática cooperativa que deve prevalecer entre os municípios do Sul da Bahia.

A rivalidade entre Ilhéus e Itabuna já teve o seu apogeu e agora vive o seu declínio.

DE CHOCOLATE E LITERATURA. ILHÉUS UM POLO TURÍSTICO?

Por Tica Simões

Ainda com o gosto do chocolate do Festival Internacional do Chocolate e Cacau (20 a 23/07), lembro o próximo 10 de agosto – aniversário de nascimento do nosso escritor maior, Jorge Amado. Naturalmente o festival, já na sua 9ª edição exitosa, tem trazido a Ilhéus inúmeras pessoas interessadas no chocolate e, outras, em realizar negócios relativos ao produto. Mas é verdade, também, que Ilhéus atrai visitantes por sua história, por sua literatura. Como sabemos, o cacau é presença temática no imaginário ficcional sulbaiano.

Cozinha Show com o chef Lucas Corazza_foto Divulgação

Não é novidade dizer que foi Jorge Amado quem iniciou o ciclo do Cacau da Literatura Brasileira nos anos 30, do século XX.Foi o tempo de uma região monocultora, de identidade sócioeconômica e cultural  de referência nacional e internacional. Ilhéus, município centro da lavoura cacaueira, também foi gerador de dramas. A Literatura conta a ambiência, a formação da nação grapiúna: do seu povo, da sua cultura, das suas origens. Anos 70, período áureo da Região do Cacau, foi tempo de muita riqueza na terra dos frutos de ouro.  A partir de 1989, o surgimento da praga da vassoura-de-bruxa (somada às anteriores, como a podridão parda) mudou o cenário de riqueza.

Nesse percurso, do apogeu à crise, o cacau e seus dramas foram tematizados na saga da nação grapiuna. O leitor  acompanha todo esse processo através dos textos literários, onde o contador de histórias relata a origem e o crescimento da civilização do cacau, o desenvolvimento de Ilhéus, o nascimento de Tabocas, depois Itabuna; denuncia as injustiças sociais, traça o perfil do coronel a sua prepotência; relata a servidão dos trabalhadores rurais; foca ademonstração da força política, do poder do mais forte,  descreve a identidade do grapiúna.

Vista aérea

Socialmente, com a crise da lavoura,a região passa a enxergar o quê, antes, o brilho do cacau não deixava ver: a sua singularidade – estar situada no coração da Mata Atlântica remanescente, na biosfera do descobrimento do Brasil e num dos litorais mais belos do país.Então, a região  empobrecida busca formas de sobrevivência, busca alternativas.  O turismo é uma delas.

Hoje, linkando literatura e turismo,  o tema cacau é potencializado como atração turístico-cultural. A ficção,  lida nos quatro cantos do mundo (principalmente a obra de Jorge Amado), fez leitores tornarem-se turistas à procura de re-conhecer o local imaginado.  Assim, a  literatura funciona como agenciadora do trânsito: de leitora turista (da ficção); de turista a leitor (da cidade); e o cacau é o mote.Nesse entendimento, o turismo, enquanto processo de viagem, cresce como atividade cultural e de impacto na economia e desenvolvimento das localidades.A literatura,veiculadora da cultura, é aqui olhada como fenômeno instigador do turismo.Dessa forma, operar o turismo através dela, implica uma compreensão do funcionamento do mercado cultural no contexto globalizado. É maneira de valorização do discurso literário e do bem simbólico local, consubstancializado para o turista através do patrimônio local.

Nessa perspectiva,a conciliação do estético com o turismofaz ressaltar a importância da cidade como cenário ficcional. Ao interpretar o ficcionalizado, o leitor tem a sua curiosidade aguçada para conhecer um mundo não familiar. Movido pela vontade de ver a paisagem que inspirou o texto literário, “passeia” pela cidade que a ficção oferece. Assim nasce o leitor-turista. Porém, não satisfeitosomente com a mobilidade ficcional, ele quer “ler” /ver, ao vivo e a cores, os locais reais tomados pela ficção. De leitor a turista é um passo: aquele que a mobilidade e o trânsito permitem. Torna-se turista-leitor, viajando para re-conhecer e observar as re-significações daquelas cidades, antes “visitadas” através da leitura. Ilhéus, berço da história do Cacau da Bahia, centro da sua produção e do seu consumo, é exemplo disso.Devido ao alcance da recepção da sua obra, Jorge Amado conquista turistas de múltiplas nacionalidades que, estando em locais os mais diversos, visitam a cidade apresentada nas páginas dos vários livros da saga cacaueira.  Isso porque, passando de leitor a turista, o tornado turista-leitor desloca-se em busca de reconhecer a região das páginas literárias. Mais recentemente, alguns vêm, anualmente, também visitar e degustar  no Festival Internacional de Chocolate e Cacau; neste ano, o festival foi acrescentado  de exposição sobre as memórias do cacau, em homenagem ao incentivador do chocolate, o cidadão Barão de Popoff.

Assim, tem chegado a Ilhéus um turista-leitor ávido por provar o fruto do cacau eo chocolate. Porre-conhecer a Gabriela, o Vesúvio, o Bataclan… Sentar na praça da catedral, ou andar nas ruas estreitas da cidade por onde passavam Malvina e Gerusa. Ansioso por “ler” a cidade como texto cultural.  Mas a decadência da lavoura atingiu a cidade. Os palacetes dos coronéis estão desabitados ou transformados. Enquanto o turista busca o reconhecimento, a presença do imaginário do cacau da obra literária se faz, para o ilheense, reconfigurada em exploração turística. Sentindo-se um tanto dono da “marca”, ele busca explorar o quê o imaginário do cacau produziu. Faz a sua cidade re-ler a literatura através de apelos semióticos. Agora, o turista-leitor encontra um Bataclan restaurado fisicamente e ressignificado; um Vesúvio transformado em restaurante; a casa de Jorge Amado, em museu da sua vida e obra; um Centro de vendas de artesanato, tendo o cacau e suas variações como elemento temático a ser oferecido ao consumo do turista… O signo Gabriela está por toda a parte; atrai pela beleza, sensualidade, cheiro (de cravo e canela), instituindo o “tipo” Grabriela, vinculada ao tempo áureo do cacau, estabelecendo “pontes” entre o imaginado e o real. Dessa forma, passa a acontecer a relação entre os ilheenses e os turistas, na maneira de receber, de comer, de viver; tal relação,sem dúvida, contribui para a cidadania cultural locale para o desenvolvimento regional.

Por essas reflexões, retomo a questão inicial entendendo que a literatura, especialmente a amadiana, contribui para atrair turistas para região e para Ilhéus, município capital do cacau.Pólo turístico- por suariqueza histórica, excepcional  beleza natural e, mais, pelo chocolate e pelaliteratura -,  Ilhéus é merecedora de uma administração pública que valorize e impulsione o seu potencial.

Tica Simões / Maria de Lourdes Netto Simões. Pós-doutora em Literatura Comparada e Turismo Cultural. Ensaista. Consultora para assuntos literários e culturais. Professora/pesquisadora, aposentada da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC. Agenda 34.

DESMONTAR O CENTRO ODONTOLÓGICO NAPOLEÃO MARQUES É NO MÍNIMO FALTA DE SENSIBILIDADE COM A HISTÓRIA DE ILHÉUS

Por Francisco Seixas (Chicó)

Napoleão à esquerda.

Eu poderia falar aqui sobre a importância política e social de Napoleão Marques para história de Ilhéus. Grande figura humana e sempre atento às causas sociais, se destacou na política por defender a causa dos menos favorecidos.

No âmbito político, aqui no Sul da Bahia, exerceu um papel importante no movimento de redemocratização do Brasil. Presidiu o PMDB e o PSB ilheense, nesse último partido, ajudou a reorganizar sua estrutura e ficou filiado até a data de seu falecimento, em 11 de maio de 2001.

Porém, o que coloco aqui, para amplo conhecimento de todos é que, o Dr. Napoleão Marques, na década de 60, formou-se em odontologia na Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e especializou-se em Ortodontia e Ortopedia Facial na Pontifícia Universidade Católica  (PUC) do Rio de Janeiro.

O jovem Napoleão,  naquela época, recém especializado em Ortodontia, recebeu diversos convites para exercer seu ofício em vários lugares do país, e até do exterior. Nascido em Una, o ortodontista, preferiu voltar a Ilhéus, sua terra por adoção e servir o município e região – foi o primeiro ortodontista da cidade de Ilhéus. 

Sempre no intuito de oferecer a melhor qualidade de seus serviços, aperfeiçoou seus conhecimentos profissionais, em centros avançados da Ortodontia no Brasil e até nos Estados Unidos da América. Filiado à Sociedade Paulista de Ortodontia,  em 1992, recebeu da entidade, uma medalha de honra ao mérito pelo serviços prestados em sua especialidade. Naquela ocasião,  foram agraciados com esse prêmio, 30 ortodontistas de todo o Brasil. E o Dr. Napoleão Marques estava lá, elevando o nome de Ilhéus, por meio de seus serviços ortodônticos prestados à comunidade regional.

 

Chicó é Comunicólogo e filho de Napoleão



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