Ônibus parou numa árvore.

Depois de ver calado as empresas de ônibus Viametro e São Miguel sacanear o ilheense, o governo do prefeito Mário Alexandre decidiu fingir que está de olho nas concessionários do transporte coletivo.

Em texto divulgado à imprensa ontem (quarta, 10), a superintendência de transporte e trânsito afirma que “prendeu” seis ônibus da empresa São Miguel – ninguém sabe se as latas velhas foram levadas ao presídio Ariston Cardoso ou à delegacia, já que o certo seria apreender os veículos.

As carcaças, afirma o texto, apresentavam problemas como bancos, janelas e cintos de segurança quebrados. A empresa tem 48 horas pra resolver o problema e colocar os veículos em circulação.

Mesmo com as irregularidades, a concessionária se livrou de ser multada. Elementos pra isso não faltam, já que problemas na frota ocorrem diariamente, como temos mostrado no ILHÉUS EM RESUMO (lembre aqui).

A medida do governo Marão, apesar de parecer enérgica, é uma cortina de fumaça. A frota de ônibus é insuficiente ou mal distribuída. Basta perguntar a um estudante da Uesc ou do Ifba se estão satisfeitos com a frequência das linhas que atendem esses destinos.

Quando retira linhas de circulação, Marão penaliza o ilheense, mesmo afirmando que a outra empresa vai assumir os destinos.

Marão é tigrão com o ilheense e tchutchuca com as empresas do transporte coletivo.

Enquanto, em dois anos, o prefeito concedeu 80 centavos de aumento na passagem, as empresas só fizeram piorar o serviço.

Os ônibus com ar condicionado e internet grátis passam a maior parte do tempo nas garagens e, quando saem, apresentam goteiras e mau cheiro. Falta o mínimo de manutenção.

Na zona rural, é comum passageiros concluírem a viagem a pé, já que os ônibus quebram. Nessa quarta (10), um carro da São Miguel apresentou princípio de incêndio quando chegava à comunidade de Banco do Pedro.

Princípio de incêndio em ônibus da São Miguel que fazia a linha até o distrito de Banco do Pedro. Foto de James Costa.

Enquanto isso, o Ministério Público se coloca a favor do combate ao transporte clandestino. Parece correto. Mas seria correto também agir contra as empresas.

O transporte alternativo funciona na brecha do legal. Se o sistema convencional é caro e não funciona a contento, o ilheense busca outros meios de se locomover na cidade.

No fim, promotores, donos e diretores das empresas e o prefeito Mário Alexandre não precisam mesmo do transporte. Possivelmente, nunca entraram num ônibus. Então, a tendência é que nada mude.