Por Zé Carlinhos

Ramayana.

Na próxima quarta-feira, 18, às 19h, o professor Ramayana Vargens toma posse na cadeira nº 11 da Academia de Letras de Ilhéus, sucedendo o professor Dorival de Freitas. Filho de tradicional família da região cacaueira – seu avô, João Vargens, foi intendente de Canavieiras e, mais tarde, fundador de Camacã – o novo acadêmico, há 30 anos, trabalha como professor e produtor cultural em Ilhéus e outros municípios do sul da Bahia. Ramayana teve ativa participação na imprensa carioca, principalmente no Jornal do Brasil, durante as décadas de 60 e 70. Também no Rio de Janeiro, atuou como produtor e diretor teatral.

Em Ilhéus, desde 1990, lecionou literatura e língua portuguesa no Instituto Nossa Senhora da Piedade, onde foi coordenador de projetos e responsável pela realização de grandes eventos na escola. Escreveu e dirigiu o espetáculo Cidadão Jesus, apresentado durante a Semana Santa, e organizou as comemorações dos 80 anos de Jorge Amado no INSP (considerada pelo escritor a maior e mais emocionante homenagem que ele recebeu do povo de Ilhéus).

O professor Ramayana dirigiu o grupo de teatro da UESC (onde foi um dos fundadores do NAU – Núcleo de Artes da Universidade) e assinou a remontagem do Auto do Descobrimento, peça de Jorge de Souza Araújo, que fez parte das comemorações oficiais dos 500 anos do descobrimento do Brasil, percorrendo diversos municípios baianos e com apresentação especial no Teatro Nacional de Brasília.

A cadeira número 11 tem Washington Landulfo como patrono e Carlos Ribeiro como seu fundador. O saudoso professor Dorival Freitas foi seu segundo ocupante, que, anteriormente, já havia indicado o nome de Ramayana para a Academia.

Músico e compositor, o novo membro da ALI, é autor, em parceria com Luciano Sanjuan Portela, da música Ilhéus, gravada por Marcelo Ganem e usada como símbolo da cidade.

Antes de sua atuação em Ilhéus, Ramayana foi Coordenador de Cultura do estado do Acre e um dos líderes do grupo de gestores de ação cultural que pressionou e apresentou ao MEC, em 1982, a proposta de criação do Ministério da Cultura. Nessa época, foi um dos mentores do Pacto Cultural da Amazônia, sendo eleito seu primeiro coordenador.

Poeta e contista, com textos editados em antologias e diversos suplementos literários do país, tem dois livros prontos – Então Eu Grito (poesias) e Sustos Sem Suspiros (contos) – para serem publicados.

Como produtor de cacau, foi um combativo representante da classe que cobrou medidas eficazes da Ceplac e demais órgãos dos governos estadual e federal, após a manifestação do foco da vassoura de bruxa, em 1989, em Camacã, nas fazendas de sua família.