Do Blog do Gusmão 

Uma voz feminina lê um texto escrito por quem conhece técnicas de redação para o rádio. Trata-se de uma produção quase profissional. As primeiras frases são ambíguas. “A Operação Citrus a cada dia leva aos ilheenses um sentimento de indignação e revolta. Perguntas sem respostas e respostas sem perguntas”, diz a locutora. Enquanto o primeiro período criou a expectativa de que o áudio divulgaria mensagem de apoio às investigações do Ministério Público do Estado da Bahia, o segundo revelou que a intenção é justamente a oposta.

A íntegra do conteúdo sugere que ele foi criado para confundir a opinião pública sobre o trabalho dos investigadores.

A gravação circula no WhatsApp e chegou hoje a este blog. No fim do áudio, a locutora dá a entender que o material foi produzido pela “Rádio Zap – Circo Brasileiro”. Procuramos a expressão na internet e não encontramos nenhuma referência. Isso indica que o áudio é mesmo anônimo.

O áudio faz ataques contra o promotor de Justiça Frank Monteiro Ferrari, que iniciou as investigações da Operação Citrus. A locutora afirma que a matéria do Fantástico foi cobiçada pelo membro do Ministério Público do Estado da Bahia. Também ataca a reportagem do Fantástico.

Aparentemente, a mensagem ignorou de propósito informações divulgadas em vários meios de comunicação. A locutora afirma que a matéria do Fantástico destacou problemas da Secretaria de Educação, enquanto a Citrus se concentra na Secretaria de Desenvolvimento Social. De fato, as investigações começaram nesse setor. Porém, como divulgado em reportagem do Blog do Gusmão, o promotor Frank Ferrari sustenta que o suposto esquema criminoso atingiu, pelo menos, seis secretarias municipais – lembre aqui.

O áudio também afirma em tom crítico que as investigações avançam principalmente sobre membros do governo anterior, enquanto os supostos desvios de dinheiro público teriam começado em 2009.

O anonimato da mensagem e a qualidade da gravação deixam no mínimo dois questionamentos. Quem teria interesse em atacar a credibilidade das investigações? Profissionais de comunicação foram contratados para produzir o áudio?