Do A Região 

Prefeitura tem feito uso errado da Biblioteca e do Teatro de Ilhéus, que foram recuperados em 2015 e 2016 depois de mais de oito anos de abandono. O prédio onde funcionou o Colégio General Osório foi restaurado pela prefeitura de Ilhéus, na gestão de Jabes Ribeiro, e formatado para abrigar a Biblioteca Municipal Adonias Filho.

No local também foi instalado o Arquivo Municipal João Mangabeira. Inaugurado em 31 de dezembro de 1915, o prédio foi reformado em 2002, reaberto em 2003 e também passou a abrigar exposições de cultura e arte.

Mais tarde, em 2014, treve que ser restaurado de novo, devido ao abandono que sofreu durante os governos de Valderico Reis e Newton Lima. A reforma durou um ano e foi entregue no aniversário da cidade em 2016. Antes, teto, piso e instalações elétricas colocavam em risco a vida dos servidores.

Ela passou a ter espaço de leitura e área multiuso, contando com auditório e salão para exposições. Além disso, com uma campanha de doação de livros lançada em 2015 pela Secult, o acervo de livros foi ampliado de 3 mil para 15 mil exemplares.

Porém, a gestão de Mário Alexandre vem descaracterizando o local com serviços que nada tem a ver com sua função original e atrapalham seu funcionamento, como a Corregedoria Municipal e o cadastro eleitoral. Além disso, um esgoto está aberto, há semanas, na porta da biblioteca.

Teatro Municipal

O auditório do Teatro Municipal de Ilhéus, que já abrigou dezenas de peças nacionais importantes e também foi reformado por Jabes, duas vezes, hoje também é usado para reuniões e eventos que não têm qualquer ligação com suas funções.

O Teatro Municipal foi reinaugurado, totalmente modernizado, no ano passado, depois de ficar fechado por absoluta falta de condições e por colocar em perigo os frequentadores. Ele tinha sido interditado por apresentar problemas nas estruturas de metal do teto e não suportar chuvas.

Na reforma do ano passado, o TMI recebeu novas poltronas, carpete e sistema de climatização. As instalações hidráulicas e elétricas, a pintura e o teto passaram por melhorias e o prédio passou por adaptações para se adequar aos conceitos de acessibilidade.

O Cine Theatro Ilhéus foi inaugurado em 22 de dezembro de 1932 mas, com o passar do tempo e o fim da era de ouro do cacau, transformou-se em ruínas. Em 1983 Jabes fez a primeira de três obras de restauração, fazendo o TMI se tornar modelo de teatro no Nordeste.

História

O interventor Eusínio Lavigne foi quem iniciou, em 1930, a construção do “Cine Teatro Ilhéus”, na praça Luiz Vianna. As obras ficaram a cargo de Celso Valverde Martins. Já em 1933, poucos meses depois da inauguração, Ilhéus atraia dezenas de artistas e peças importantes.

Grandes encenações e artistas nacionais incluíam o Teatro em suas turnês. Em 1941 recebeu Deus lhe Pague, de Joracy Camargo. Aymée e Procópio Ferreira (1935), a filha Bibi, a vedete Virgínia Lane, cantores como Sílvio Caldas, Orlando Silva e o Bando da Lua também se apresentaram nele.

Foi a mais importante, porque do teatro original restavam só as paredes. A restauração manteve os traços arquitetônicos originais, apenas modernizando as portas e janelas com Blindex. Toda a parte interna teve que ser reconstruída do nada.

Palco de várias peças nacionais, principalmente nos anos 90, o Teatro recebeu elogios de todos os artistas que passaram por ele. Raul Cortêz, que se apresentou com Lobo de Ray Ban, disse à rádio Morena FM: “queria ter um teatro exatamente como este para minhas peças no Rio”.