Casal Thayane e Enoch. Jamil e Kacio

No último dia 21 de março, o ilheense acordou com a notícia da prisão de um vereador no pleno exercício do mandato, de um ex-secretário municipal e de empresários de sucesso na cidade. Nesta sexta, completa-se um mês da deflagração da Operação Cítrus, que envolve Ministério Público e a Polícia Civil e que ganhou esse nome devido à quantidade de laranjas (pessoas usadas para encobrir reais donos de empresas) envolvidos no esquema.

Foram presos Enoch Andrade Silva, Thayane Santos Lopes (casados e donos da empresa Andrade Multicompras), Wellington Andrade Novais (empresário dono de firma de fachada), Lucival Bomfim Roque (contador do grupo), Jamil Chagouri Ocké (vereador) e Kácio Clay Silva Brandão (ex-secretário de desenvolvimento social). 

Além das prisões, foram cumpridos seis mandados de condução coercitiva e 27 de busca e apreensão. Os mandados atingiram não só a prefeitura e a Câmara de vereadores, como residências dos envolvidos e a sede da loja Andrade Multicompras.
Segundo apurado em investigação realizada pelo MP, o grupo opera desde 2009 celebrando contratos com o Município de Ilhéus para o fornecimento de “gêneros alimentícios” e “materiais de expedientes/escritório”. 

O esquema contava com a participação de agentes públicos do primeiro escalão do governo municipal e, conforme comprovado no período da investigação, as empresas envolvidas receberam mais de R$ 20 milhões decorrentes de contratações com o município. 

As empresas são a Marileide S. Silva de Ilhéus, Mariangela Santos Silva de Ilheus EPP, Thayane L. Santos Magazine ME, Andrade Multicompras e Global Compra Fácil Eireli-EPP, todas geridas por Enoch Andrade Silva. Também foi identificada a participação do empresário Noeval Santana de Carvalho, que celebrava contratos irregulares com o Poder Público para fornecimento de merenda escolar.

Na prática, as empresas de fachada controladas por Enoch Andrade participavam das licitações e forneciam orçamentos fora da realidade, fazendo com que somente uma delas oferecesse preços mais realistas e assim vencia o certame.

Presídio 

Dos seis presos, continuam detidos somente Enoch Andrade, apontado como chefe do núcleo empresarial do esquema, Jamil e Kacio, que comandariam a parte política do esquema. Eles cumprem prisão preventiva no presídio Ariston Cardoso, em Ilhéus, num espaço reservado.

Os três já tentaram várias vezes conseguir habeas corpus pra responder aos processos em liberdade, mas sem sucesso. Entre outras coisas, o judiciário alega que, soltos, eles podem destruir provas que não foram coletadas ainda.

Preventivo 

Quem também não conseguiu habeas corpus, só que preventivo, foi o vereador Tarcísio Paixão. Ele presidiu à câmara entre 2015 e 2016, período em que os contratos do legislativo com as empresas investigadas tiveram crescimento considerável e por isso passaram a ser investigados também na operação.

Com medo de ser preso, o vereador pediu habeas corpus preventivo, para não ser preso. No entanto, o pedido foi negado e, claro, pegou bastante mal pra ele.