Do Tabuleiro 

Documento expedido pelo Ministério Público do Estado da Bahia, que deu origem aos pedidos de prisão preventiva dos ex-secretrários de desenvolvimento social de Ilhéus, Jamil Ocké e Kácio Brandão, além do empresário Enoch Andrade e da sua eposa Thayanne e de Wellington Andrade, revela que a “Operação Citrus” teve início quando a 8ª Promotoria de Justiça de Ilhéus iniciou investigações para apurar indícios de fraudes relacionadas a um Pregão Presencial, deflagrado e conduzido pela Secretaria de Desenvolvimento Social em 2015, para a compra de 20 mil quilos de frango congelado, que foram – parcialmente – distribuídos no natal do mesmo ano. O custo do contrato para a Prefeitura Municipal de Ilhéus foi de R$ 142.800,00.
Em relação ao Pregão, alguns fatos chamaram a atenção dos investigadores, como apenas a empresa vencedora (“Marileide S. Silva” – ex-cunhada de Enoch Andrade) ter comparecido à sessão de abertura das propostas e lances verbais, a rapidez de todo o processo; a diferença quanto os valores fornecidos pelas outras duas empresas cotadas – uma delas apontadas como “nitidamente empresa fantasma” – (os valores eram próximos entre si e muito maior que o apresentado pela empresa vencedora); o valor pelo quilo do frango apresentado pela empresa vencedora, superior ao pesquisado em grandes redes varejistas locais. Outro agravante apontado foi o da empresa vencedora, mesmo após ter recebido o valor total do contrato, não ter entregue 2 mil quilos da mercadoria.
A partir desses indícios, as investigações apontaram para um “contexto de um extenso esquema de desvio de recursos públicos orquestrados por uma associação criminosa” com operação desde 2009, resistindo a diferentes gestões.