Da TV Santa Cruz

Hospital Regional

Pacientes com traumas ortopédicos internados no Hospital Geral Luiz Viana Filho, em Ilhéus, aguardam há meses transferências para outras unidades de saúde para realizar cirurgias. Como a maioria dos casos envolve fraturas de ossos, familiares dos pacientes ficam angustiados e dizem que, quanto mais o tempo passa, maiores as chances de sequelas.
A família do jovem Ezequiel Santana dos Santos, de 16 anos, que sofreu um acidente de moto em janeiro desse ano e quebrou um osso da perna, está desesperada. Ele está internado há mais de um mês e meio na unidade médica no corredor do hospital e ainda não conseguiu passar por uma cirurgia.
Os parentes do rapaz contam que receberam um documento da Procuradoria Geral do Estado (PGE) que atesta que ao menos 99 pacientes em toda a Bahia precisam de transferência pelo mesmo motivo e que quatro têm até liminar da Justiça, mas ainda assim não conseguem uma vaga.
“Logo quando ele deu entrada, o médico falou que teria que ser uma cirurgia com urgência”, afirma a tia do jovem, Vandilma Santos. Segundo ela, o hospital afirma que não tem leito para o jovem e que, por isso, ele continua no corredor.
A família diz que, em documentos, o hospital afirma que tem buscado vagas em outras unidades médicas desde janeiro, inclusive destacando que o caso é urgente, mas ainda assim nenhuma vaga surgiu. A família está aflita. “Estamos preocupados com uma infecção, uma pneumonia, porque ele está exposto”, diz a tia.
O filho da dona de casa Alice Santana, Gerson Francisco Santana, de 44 anos, também está na mesma situação. Ele está internado no hospital desde que caiu em uma calçada e fraturou o cóccix. Ele também precisa ser transferido para outro hospital para ter uma avaliação melhor do quadro de saúde, mas não consegue vaga. “Chora ele e chora eu, porque a gente vê um filho assim no desespero. E até hoje nada. Dizem que não tem vaga em Salvador”, diz Alice.
A avó de Jailton Silva, Adalgisa Rodrigues dos Santos, de 90 anos, também está internada há uma semana no mesmo hospital. Ela quebrou um osso da perna e precisa ser transferida. “Não tem previsão de transferência. Até agora eles não deram uma solução a gente” diz.
A direção do hospital informou que tem ortopedista na unidade e que cirurgias dessa especialidade são realizadas todos os dias no hospital. A Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) afirmou, por sua vez, que aguarda laudos de exames do paciente Ezequiel para avaliar para onde ele precisa ser levado. Com relação ao paciente Gerson, a Sesab disse que está em busca de vaga. Já sobre o caso de Adalgisa, o órgão informou que não foi localizado no sistema o pedido de transferência.